Garibaldi na América do Sul - O mito do gaúcho

    Gianni Carta

    Boitempo Editorial
    2013
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788575593370
    Português Brasileiro

    A imagem mais conhecida de Giuseppe Garibaldi, encontrada até hoje em selos postais, rótulos de vinho e fotografias, retrata um “perfeito gaúcho”. A fantástica trajetória desta figura histórica, que retrata o imaginário europeu e o universo sociopolítico do século XIX, encontra-se inscrita em Garibaldi na América do Sul: o mito do gaúcho, livro do jornalista e cientista político brasileiro Gianni Carta, que chega às livrarias em setembro pela Boitempo Editorial. Por meio de uma cuidadosa arqueologia de referências – a influência militarista de Giuseppe Mazzini, o jornalismo de Giovanni Cuneo e Luigi Rossetti, as entusiásticas descrições de Alexandre Dumas e outros escritores –, acompanha-se o desenrolar dos acontecimentos históricos do tempo de Garibaldi: a invenção do daguerreótipo, a Revolução Farroupilha, a Europa efervescente de 1848. Respeitável e temido líder – cujo eco Carta não hesita em apontar nas figuras contestatórias de Che Guevara e Fidel Castro –, o que lhe rendeu a alcunha de “General do Risorgimento” e um papel fundamental no processo de unificação italiana, Garibaldi se deixou seduzir profundamente pela América do Sul. Recheado de informações históricas embasadas por vasta e sólida pesquisa documental que ocupou oito anos da vida do autor, o livro se esquiva dos chavões enciclopedistas e resulta em um esforço ensaístico divertido e iluminador. Carta buscou referências nas bibliotecas Britânica, François Mitterrand, de Genova, de Turim, de Milão, do Rio de Janeiro, de Montevidéu e de Buenos Aires e também buscou material por onde viveu e lutou Garibaldi, sobretudo nos 13 anos em que viveu na América do Sul, de 1836 a 1848. Percorreu seis países: Itália, França, Grã-Bretanha, Argentina, Uruguai e Brasil, especialmente Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul afora. Entrevistou fontes e historiadores diversos, como Paixão Côrtes, um dos principais folcloristas e pesquisadores a resgatar a cultura gaúcha. Mesmo imerso no universo de Giuseppe Garibaldi, não falta espírito crítico no livro de Carta, que interessará sobretudo aos estudiosos de literatura, jornalismo e história. Mas vai muito além destes campos específicos, podendo-se incluir antropólogos, psicólogos, e os amantes de uma bela e romântica aventura. O estudo parte da trajetória extraordinária de Garibaldi para delinear como a imagem deste herói gaúcho, uruguaio e italiano sobreviveu a sua vida histórica, passando ao terreno do mito. Para tanto, o livro detalha como aqueles escribas que o cercaram construíram a imagem de um homem extraordinário, um recuperador romântico de uma pátria perdida, a sua Itália, ou a do construtor de novas, como a do bem-sucedido Uruguai ou a da malograda Republica Riograndense, cujo território permanece hoje incorporado ao Brasil. O ensaio desvenda como jornalistas, em especial Cuneo e Rosseti, um político como Mazzini, alcunhado "o Profeta", e o famoso romancista Alexandre Dumas construíram deliberadamente a imagem com que Garibaldi passou ao futuro e ao mito. E mostra como o próprio Garibaldi compreendeu o valor do jornalismo moderno e da literatura romântica como armas políticas e industriou a construção da própria imagem. Para tanto, construiu-a como a um "gaúcho" que "invade" a Europa, seus corações e mentes, para envolvê-los na luta pela unidade italiana. Nesta trajetória, o "herói de dois mundos" terminou por dar substantiva contribuição para construir o mito do próprio gaúcho em terras americanas, ajudando também a envolver corações e mentes dos pampas argentino, uruguaio e brasileiro. Chegando aos dias atuais, Gianni Carta analisa como sobrevive a imagem do herói na TV, na literatura e no ensaio, em suas diferentes facetas e nuanças, tanto no Brasil como pelos demais espaços reais e imaginários por onde ele passou e ainda vive. Num estudo abrangente e rigoroso, o autor nos mostra como os poderes do jornalismo e da literatura permanecem sendo muito mais fortes do que por vezes cremos.

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    Matheus Fernandes picture
    Matheus Fernandes20/01/2025Resenhou um livro
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    O mito do gaúcho

    Gianni Carta escreve aqui uma excelente biografia sobre um dos nomes italianos mais importantes para a Itália e também para o Sul do Brasil, Giuseppe Garibaldi. Carta fez um longo estudo sobre essa figura histórica que me cativou através da minissérie e do livro "A Casa das Sete Mulheres". Nessa biografia, o autor, vai usar então de outras biografias e também criticar alguns pontos delas para compor a sua e também relatar divergências entre elas. Além de Garibaldi e Anita (sua mulher), uma figura bastante interessante que também é bastante citada, é o escritor Alexandre Dumas. Dumas, não apenas conviveu um tempo com Garibaldi, como também escreveu sua biografia, da qual, Carta vai criticar um pouco. A cada capítulo com um foco em algum assunto específico, Gianni Carta, abre vários tópicos para explicar a situação de cada coisa ao redor do biografado e também explicar o contexto histórico. Assim como também, explica quais foram os legados que uma figura como essa deixou na humanidade. O mais interessante, é ver como o escritor faz a distinção da importância da figura histórica para o mito que foi criado em cima do mesmo. Ele critica bastante o que foi romanceado para tornar Garibaldi essa marca histórica que é hoje. Eu tenho um outro livro sobre o Garibaldi para ler, escrito pela Yvonne Capuano, e que vai ser uma outra visão em cima desse assunto. Deixei anotado todas as vezes que Carta se contrapõe com algumas coisas expostas pela Capuano. Não apenas fez isso, como pelo jeito, deixou um climão em um evento, do qual participaram os dois e também, Tabajara Ruas, outro escritor que usou de Garibaldi, para compor alguns romances. Climão esse, do qual Carta deu uma opinião, Capuano discordou e Tabajara a defendeu. É como qualquer outra biografia, só vai gostar, quem tiver interesse no biografado ou no pano de fundo do qual ele é ligado.

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