"Não querendo mais uma obra para trabalhar, precisava de uma para me divertir. Decidi fazer a Flora petrinsularis e descrever todas as plantas da ilha sem omitir uma só, com detalhes suficientes para me ocupar pelo resto de meus dias. Dizem que um alemão escreveu um livro sobre a casca de um limão; eu teria escrito um sobre cada gramínea dos campos, sobre as pedras; enfim, não queria deixar um fio de grama, um átomo vegetal sem descrição." Este testamento inacabado, publicado postumamente em 1782, combina o argumento filosófico com anedotas da própria vida e descrições poéticas de um homem que se sente afastado de todos. 'Os devaneios' é um retrato do filósofo, que encontra aqui espaço para analisar o passado e se defender dos críticos que o condenaram à solidão.


