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    Hotel Savoy -

    Joseph Roth

    Estação Liberdade
    2013
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788574482293
    Português Brasileiro
    4
    32 avaliações
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    Como retomar a vida após anos de guerra? Pois essa parece ser a questão que Joseph Roth tenta responder com a trama de Hotel Savoy, romance de tiro curto narrado por Gabriel Dan, um judeu russo egresso de um campo de concentração na Sibéria. O título refere­‑se ao hotel, de localização não revelada (pode-se especular a Polônia), onde o personagem se instala em sua jornada de libertação ao fim da Primeira Guerra. O Hotel Savoy é um gigantesco abrigo a reunir os órfãos da guerra, os desterrados feridos pelos cacos do desmoronamento do Império Austro­‑Húngaro, e os fantasmas, errantes e reais, da Revolução Russa. Pelos olhos de Dan o leitor é apresentado à eclética profusão dos hóspedes­‑personagens de Roth, cada qual com suas misérias e grandezas — como o tio Phöbus Böhlaug e a dançarina Stasia, por quem Dan nutre sentimentos ambíguos de interesse e rejeição. Com quase mil apartamentos e sob uma estrutura de hospedagem hierarquizada, o hotel sintetiza as transformações sociais e políticas que o entreguerras impunha à Europa. A originalidade de Hotel Savoy, publicado originalmente em 1924, reside na opção de Roth em escrever a história em primeira pessoa, e, ainda assim, esquivando-se do simplismo de evocar as memórias do cárcere de seu protagonista-narrador. Ao contrário: Roth distancia a narrativa da perspectiva individual (pouco é revelado sobre Dan), propondo uma dimensão macro do pós-guerra a partir de ecléticos perfis psicológicos a que se debruça com maestria. Como se a paz só fosse possível como utopia, as pessoas, atônitas, comportam-se como se já não soubessem mais viver num mundo sem conflito. Por isso, parecem fadadas à espera de um salvador — personificado no personagem Bloomfield, um investidor americano — que possa alentar seus destinos.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino13/07/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    hotel savoy

    De Joseph Roth apenas li o último de seus livros: "A lenda do santo beberrão", que é de 1939. Noutro dia encontrei "Hotel Savoy", que é um dos primeiros, de 1924. Trata-se de um história curta, que descreve um mundo de imobilidade, letargia, paralisia, tanto física quanto emocional. O narrador é Gabriel Dan, um refugiado da primeira grande guerra que assim como milhares de outros volta da Rússia revolucionária, a Rússia dos Soviets. Ele interrompe sua viagem rumo ao oeste europeu numa cidade não nominada (que é sua cidade natal e que provavelmente faz parte da Polônia). Assim como todos os demais refugiados ele imagina ficar ali apenas um par de dias, somente o tempo de conseguir algum dinheiro com um tio que outrora fora bastante próspero, mas como por um encanto acaba permanecendo na cidade. O hotel em que se hospeda é um microcosmo da cidade, do país e do mundo daquela época conturbada. Tudo é provisório, a incerteza e o medo impedem as pessoas de tomarem decisões, de se afastarem daquele lugar enfeitiçado. Gabriel entende que seu tio e primo vivem ainda sob as regras de um passado já destruído, que jamais voltará. E percebe também que ganhar dinheiro não é uma ocupação associada ao trabalho, a virtude, a valores morais, mas sim resultado da sorte (com o câmbio favorável do dia, a chegada de um amigo, a necessidade de alguém por um favor). O crescente número de refugiados, as greves dos trabalhadores das indústrias do local, a ausência de autoridade constituída parecem indicar que a guerra voltará a acontecer, cedo ou tarde. Roth descreve o tipo de pessoas que vivem no hotel: artistas, empresários, prostitutas, veteranos de guerra, velhos funcionários e desocupados em geral (como Gabriel e um amigo seu dos tempos da guerra, Zwonimir, convertido à causa revolucionária). A notícia da chegada iminente de um rico americano traz alguma esperança a todos do hotel e da cidade, mas essa expectativa não pode se concretizar. Roth consegue registrar em seu livro o quão terrível é viver em um mundo que desaparece lentamente, em câmera lenta, sem ser interrompido por nenhuma força (nem a fé, nem a esperança, nem a vontade, tampouco a disciplina e a ordem). Não são apenas os deuses que um dia experimentarão o seu crepúsculo. [início: 21/06/2015 - fim: 25/06/2015] "Hotel Savoy", Joseph Roth, tradução de Silvia Bittencourt, São Paulo: Estação Liberdade, 1a. edição (2013), brochura 14x21 cm., 183 págs., ISBN: 978-85-7448-229-3 [edição original: Frankfurter Zeitung (Berlin: Verlag Die Schmiede) 1924]

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    Moses Joseph Roth

    Nascido em 1894, Joseph Roth viveu o fim do Império Austro-Húngaro. Da tragédia histórica que o marcou pelo resto da vida, nasceu o observador privilegiado dos novos tempos e, em especial, da Berlim da década de 1920. Nos artigos de Berlim, Roth registra o espetáculo múltiplo e ambíguo da velha capital prussiana, tomada de assalto por refugiados, bondes e arranha-céus, e transformada de uma hora para outra em epicentro da República de Weimar e da cruel história européia das décadas seguintes.<br> Andando por Berlim, Roth descobre asilos de refugiados, banhos noturnos e ruas de imigrantes; espreita os olhos cegos e brilhantes dos semáforos reinando sobre a nova paisagem de ferro, passeia ao lado de um criminoso recém-liberto, para tomar a medida cabal da transformação da cidade; e finalmente, como um Orfeu descendo aos infernos, percorre uma noitada berlinense. O que emerge de Berlim é menos o retrato objetivo de um lugar do que a imagem convulsiva de uma era que derrubava fronteiras, impérios e quarteirões com igual indiferença - e que ainda não acabou.

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    Moses Joseph Roth