Pelo aspecto que adquire nos períodos secos – que podem ser muito longos – os indígenas a chamavam de mata (em tupi, ka’a) branca (tinga). Por séculos explorada de forma desordenada, hoje a Caatinga passa por uma situação dramática por causa do desmatamento e da seca, ao mesmo tempo em que os cientistas começam a voltar seus olhos para sua surpreendente biodiversidade. Afinal, a “irmã pobre” dos biomas brasileiros ocupa 11% do território nacional e até onde se sabe (e se sabe pouco ainda) abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 de anfíbios e 241 de peixes. Sem falar nas 27 milhões de pessoas que ali vivem, boa parte delas com poucos recursos além dos que a própria Caatinga pode fornecer. Quase 50% da cobertura vegetal já foram desmatados e, do que resta, apenas 8% estão protegidos por unidades de conservação. “O uso indiscriminado da madeira para lenha e carvão é uma das principais ameaças à Caatinga”, diz o pesquisador Bráulio Almeida Santos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que esteve palestrando em evento dedicado à biodiversidade deste bioma, que aconteceu na Fapesp no mês passado. Para conhecer essa realidade brasileira e as razões que estão levando pesquisadores a essas retorcidas paisagens, o repórter André Julião e o fotógrafo Lucas Albin desembarcaram em Vitória da Conquista (BA) e de lá rodaram vários quilômetros com pesquisadores da Unesp e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O resultado começa na pág. 18. Façam uma boa viagem.
Revista Unesp Ciência - Caatinga redescoberta
Luciana Christante - diretora de redação
Unesp
2013
100 páginas
3h 20m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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