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    O Tesouro de Chica da Silva - Peça em 2 atos; e Pedro Mico, peça em 1 ato

    Antonio Callado

    Nova Fronteira
    2004
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-10: 8520916961
    Português Brasileiro
    3.5
    22 avaliações
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    ["O Tesouro de Chica da Silva": peça em 2 atos; e "Pedro Mico", peça em 1 ato (1962) -- Roteiro de Leitura e notas de Ligia Chiappini]. O Tesouro de Chica da Silva -- Peça da obra "A Revolta da Cachaça", de Antonio Callado. O tesouro de Chica da Silva, em 2 atos, é uma peça de fundo histórico, escrita em 1958. A escrava Chica da Silva é a principal figura, cercada por suas mucamas, também negras, que formam uma espécie de coro. Além delas, há outras personagens importantes que com elas atuam, o seu amante, contratador de diamantes, João Fernandes, o Conde de Valadares, anti-herói, e outros brancos e negros que fazem parte do ambiente do Arraial do Tijuco (hoje, Diamantina) no século XVIII, tempo em que se passa a história. Quando a peça começa, Chica é a amante do contratador e vive muito feliz com ele. Mas encontra-se no Tijuco o corrupto Conde de Valadares, governador da Capitania, embaixador do Rei de Portugal e do temido Marquês de Pombal. Ele está encarregado de fazer uma devassa que irá provocar a ruína de Chica e de João Fernandes. Na peça, Chica tenta primeiro comprar o conde, mas ele sempre quer mais. Como ela não tem um tesouro em pedras preciosas que lhe havia prometido, ele ordena a prisão do contratador e a devolução de Chica para a senzala, para que volte a viver como as outras escravas. Aí ocorre o inesperado: o filho do Conde, D. Jorge, que não era publicamente reconhecido como tal, apaixona-se por Chica e, por amor, mata o capitão enviado pelo conde para levá-la à senzala. O tesouro prometido por Chica se converte então, para surpresa final do conde e do público, no filho deste, que ela lhe presenteia adormecido em sua cama, quando descansava do stress sofrido por matar o capitão. Como o conde não quer que o crime se divulgue e muito menos seu autor, o que o desmoralizaria, rende-se e faz o que Chica quer. Propõe-se a soltar o contratador que estava preso, mas Chica lhe ordena que ainda o deixe dormir na prisão uma noite, para que aprenda a ser mais corajoso, já que ela o condena por deixar-se vencer tão facilmente pelo conde. Como se vê, Chica domina a cena, apresentando-se como mulher forte, ao contrário do passivo contratador. Um aspecto importante a assinalar nessa peça é que a rusticidade mal disfarçada de Chica serve freqüentemente para revelar a pseudo-cultura de uma elite de brancos tão ou mais ignorantes do que ela. O contraste se obtém ainda contrapondo elementos da cultura branca a elementos da cultura negra, como na música, por exemplo, onde o lundu africano aparece ao lado da música austríaca, apreciada pelos nobres portugueses. Mas também se evidencia a capacidade de os negros, representados por Chica e seus companheiros e companheiras, se apropriarem da música estrangeira e da música de brancos, valorizando, entre outras, a modinha de origem portuguesa. Aqui, como em Pedro Mico, estão presentes os mitos afrobrasileiros. Além de Zumbi, são mencionados os Orixás, a quem Chica sempre recorre nos momentos difíceis, ficando com fama de feiticeira. A personagem Chica da Silva reproduz também, tal como Pedro Mico, a figura do negro esperto e sedutor. No caso, trata-se da mulata com toda a sua ambiguidade de caráter, postada entre os poderosos detentores da riqueza produzida pela mineração, e um séquito de mulatas que a servem. Aqui, o enredo se presta a uma alegoria de escola de samba. É a mulata por quem os portugueses se entregam, a exemplo do Contratador de Diamantes João Fernandes e do jovem D. Jorge, filho do Conde de Valadares. A lendária história da amante do contratador não conhece limites para a mulata herdeira de grandes fortunas em jóias, propriedades e escravos, que quase perdeu seus privilégios com a intervenção do temível Conde de Valadares, na figura do Governador da Capitania e Embaixador d'El Rei D. José e do Marquês de Pombal. Ao contrário de Pedro Mico, a astúcia, simplesmente, não seria suficiente para livrar Chica da Silva e o companheiro das malhas do fisco português que tencionava tirar o máximo proveito das riquezas minerais produzidas na colônia, à custa de condenações rigorosas, usando toda a violência possível. Foi graças à providencial aparição do apaixonado D. Jorge que Chica e o Contratador se livram da ruína anunciada, como se constata no desfecho cômico, com a sedutora mulata encontrada pelo furioso Conde, na cama, nos braços de D. Jorge, após o assassinato pelo próprio filho do Capitão da Guarda. Com a família envolvida no escândalo e a garantia de vantagens pessoais o fiel vassalo do rei bate em retirada e silencia sobre os desmandos morais da colônia degenerada e os desvios de riquezas entre gente desclassificada, conforme julga o Governador. A representação da personagem Chica da Silva já não nos remete ao “negro heróico”, como paradigma de uma história da resistência, que sofre a perseguição e a morte para afirmar-se. Chica da Silva possibilita uma atrevida convivência com os poderosos, com todos os riscos que esta parceria pode provocar, ao reproduzir a relação da senhora com o seu séquito de mucamas, prestes a servir, felizes a colaborar.

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    Abenildo Carvalho picture
    Abenildo Carvalho06/07/2016Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Interessante

    Esta peça em dois atos é uma comédia de fundo histórico cuja ação se passa na barroca Minas Gerais do século XVIII. Um livro que apresenta bem uma época de luta e sofrimento, porém, com graça e "leveza" de espírito quanto as tiradas da sua personagem principal, que conforme indica o título da peça, é a negra e ex-escrava Chica da Silva. Sempre cercada de suas mucamas, que constituem uma espécie de coro, Chica se destaca por sua altivez e sua esperteza ao lidar com os poderosos. Esperteza essa que quando fisga o leitor não mais o deixa largar...

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