Dóris era alta e tinha o andar arcado, anos depois eu soube que andava arcada por ter vergonha da própria altura. O curioso é que o que mais me incomodava em Dóris era justamente o seu andar arcado e o que mais me atraía era sua altura. Neste romance que marca a estreia de Oneide Diedrich na literatura, ora acompanhamos a história pela voz de Dóris, ora pela visão de um homem, ora pela filha dos dois. E o que se lê é o percurso existencial, de ordem inevitavelmente trágica, desta personagem (Dóris), desde o período em que está na barriga de sua mãe até a fase adulta. Em jogo, a ruína afetiva da história e o aventurar-se do autor na exploração sensorial e sinestésica, através da confluência de tempos (presente e passado) e de morte e vida. Manipulando conceitos da psicanálise e brincando com o ato da leitura (direta e por camadas), cada capítulo é apresentado como possível metáfora para, ao fim, somando-se aos demais, resultar em uma série de sentidos nunca definitivos. Oneide Diedrich equilibra a percepção poética da existência e elementos de ordem mundana numa história em que delírio e realidade caminham juntos. Suas personagens podem ter perdido o chão, mas não a coragem, nem o amor.
Réquiem para Dóris -
Oneide Diedrich
Encrenca
2013
116 páginas
3h 52m
ISBN-13: 9788560499458
Português Brasileiro
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