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    Violência, mas para quê? -

    Anselm Jappe

    Hedra
    2013
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788577153244
    Português Brasileiro
    3.6
    7 avaliações
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    Violência, mas para quê? é uma reflexão do filósofo Anselm Jappe sobre as recentes respostas violentas e autoritárias do Estado às populações. Apesar de este ser um texto sobre a conjuntura política francesa, ele se enquadra perfeitamente bem na atual situação brasileira, sobretudo se considerarmos os últimos acontecimentos que têm mobilizado o país. A partir do "Caso Tarnac", quando, em 2008, nove anarquistas foram presos e acusados de terroristas numa operação policial desmedida, Jappe questiona a função do Estado e a maneira como a população acaba se conformando a controles excessivos e sem justificativas claras.

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    Caio Maximino picture
    Caio Maximino30/12/2019Resenhou um livro
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    Uma provocação ao insurreicionalismo

    Jappe sempre apresenta provocações interessantes aos movimentos de Esquerda. Quando falou sobre o situacionismo, ressaltou que a busca pela "vida e não pela sobrevivência" fazia muito sentido nos países em que, em certo grau, a sobrevivência já está garantida. Nesse livro, Jappe critica as afirmações de violência feitas pelo insurreicionalismo, principalmente na figura do Comitê Invisível. Jappe parte da observação de que a Esquerda, principalmente a institucional, não consegue perceber que a forma-Estado é caracterizada pela busca do monopólio da violência, e que as formas modernas de repressão incluem apontar para o que seriam maneiras legítimas de política - ou seja, que só se pode fazer política pelos meios institucionais. A Esquerda abraça isso, e traça uma linha de fronteira para isolar seus elementos mais radicais que cometem atos ilegais. Jappe percebe esses atos como realmente efetivos na produção de lutas e resistências, e até mesmo de reformas, e percebe a mediação como uma forma do Estado pacificar a resistência. Mas ele observa uma espécie de "degeneração" do ilegalismo na figura do Comitê Invisível ou do Tiqqun, que, em sua visão, pecam por proporem a dissolução da civilização em um ato violento, não-criativo ou de deserção, e por acreditarem, de maneira ingênua, que seria possível propor uma aliança entre todos os elementos que "odeiam o estado atual das coisas". Essas duas posições são vistas por Jappe como representantes do Comitê Invisível, o que é uma redução complicada. Mas Jappe coloca alguns pontos fundamentais que têm a ver com uma certa ausência de projeto por parte do insurreicionalismo. Por exemplo, a noção de deserção corre o enorme risco de produzir efeitos tão-somente para aqueles que desertam e que, ao ver que o resto da população não o fez, passariam a defender seus interesses individuais como o fazem as FARC. Jappe também se preocupa que a ausência de projeto para as minorias faça com que, com a explosão de insurreições que virá, essas se tornem "bodes expiatórios" da repressão estatal. Apesar de exageradas e se basearem em uma leitura mais superficial do Comitê Invisível ou do Tiqqun, as críticas de Jappe nesse livreto são importantes para pensarmos os limites da tática e em como expandir o impacto das insurreições para além do momento em que ocorrem.

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    Anselm Jappe profile picture

    Anselm Jappe

    Anselm Jappe (Bona, 1962) é um filósofo e ensaísta nascido na Alemanha. Fez seus estudos em Itália e em França, onde vive atualmente. Além de inúmeros artigos nas revista alemã Krisis, é autor do livro Guy Debord sobre a vida e a obra do pensador e ativista francês (publicado no Brasil pela editora Vozes). Recentemente publicou o livro As Aventuras da Mercadoria (pela Editora Antígona de Lisboa) que reconstrói a trajetória filosófica e política da crítica do valor. Outras publicações recentes de Jappe são os títulos "Violência, mas pra que?" e "Credito à morte", ambos construídos com ensaios publicados por ele em revistas francesas. Esses títulos foram publicados em português, no Brasil, pela editora Hedra.

    9 Livros
    2 Seguidores

    Anselm Jappe