Fundada por São Francisco de acordo com visões estritas sobre a pobreza, a ordem franciscana estava naquela época passando por discórdias internas. Um grupo, os espirituais, perturbou a ordem por uma visão rigorosa da pobreza; outro, perturbava-o por uma frouxidão. Boaventura usou sua autoridade com tanta prudência que, aplacando o primeiro grupo e reprovando o segundo, preservou a unidade da ordem e a reformou no espírito de São Francisco. O sucesso da obra de restauração e reconciliação deveu-se às incansáveis ââvisitas de Boaventura, apesar da saúde delicada, a cada província da ordem e à própria realização pessoal do ideal franciscano. Em suas viagens, ele pregou o Evangelho constantemente e com tanta elegância que foi reconhecido em todos os lugares como um pregador muito eloquente. Como teólogo, baseou o renascimento da ordem em sua concepção da vida espiritual, que expôs em tratados místicos manifestando sua experiência franciscana de contemplação como perfeição da vida cristã. Sua Viagem da mente a Deus (1259) foi uma obra-prima mostrando o caminho pelo qual o homem como criatura deve amar e contemplar a Deus por meio de Cristo, a exemplo de São Francisco.