Internet e a rua, A - Ciberativismo e mobilização nas redes sociais Fábio Malini Henrique Antoun Outros livros desta coleção ISBN: 978-85-205-0684-4 Categoria: Redes Sociais, Cibercultura, Movimentos Sociais Edição: 1ª - 2013 Formato: 14 x 21 cm Nº de Pag.: 278 Peso: 0,336 Kg Preço: R$ 35,00 Hoje, numa Internet 2.0, um novo ciclo de lutas renasce a partir das ocupações e dos protestos de rua no Brasil e no mundo. As pessoas acampam em praças, acampam em ruas, acampam em assembleias legislativas, ao mesmo tempo tuítam, filmam, postam tais atos, gerando comoção e emoção nos seus seguidores e amigos nas redes sociais. Os protestos no Brasil e no mundo permitiram que a hipótese central deste livro se confirmasse: rua e rede se interpenetram e fazem emergir uma política colaborativa, direta e em tempo real. E possui relação intrínseca com as práticas de compartilhamento peer-to-peer, abertas pelas gerações ciberativistas das comunidades virtuais e grupos de discussão dos anos 80; pela radical cultura hacker do vazamento de códigos e informações que amplia o livre fluxo da informação; e pelas teias das páginas públicas virtuais da WWW.
A Internet e a rua - Ciberativismo e mobilização nas redes sociais
Fábio Malini, Henrique Antoun
Resenha: @Internet e #Rua - Ciberativismo e mobilização nas redes sociais
MALINI, Fábio; ANTOUN, Henrique. A internet e a rua: ciberativismo e mobilização nas redes sociais. Porto Alegre: Sulina, 2013. Uma visita guiada pelas origens da Internet. É por onde começo. O livro de Fábio Malini e Henrique Antoun, prefaciado com destreza por Ivana Bentes, é, além de uma visita guiada pelas origens da Internet, um mar definições e conceitos pertencentes ao universo da tecnologia e comunicação, que inclui a articulação de um extenso referencial teórico. O livro está dividido em quatro partes e conta com uma ampla seção de notas que vale a consulta à medida em que se faz a leitura dos capítulos. Publicado em agosto de 2013, em um momento de grande vigor das manifestações no Brasil, o livro traça genealogias de vários movimentos sociais que atuaram e atuam, nas manifestações e fora delas, enquanto articula gradativamente a genealogia da Internet com a rua. No prefácio, Ivana quando afirma categoricamente que “esse livro busca mapear e cartografar, tensionar, analisar e apontar caminhos, menos que responder a uma questão inquietante: afinal, o que está acontecendo?”. Avançando na leitura, os autores seguem apresentando nos capítulos iniciais as origens de diversos movimentos e iniciativas. Entre eles, podemos citar: as origens do movimento do software livre, das lutas antidisciplinares, do copyleft, dos blogs, dos Anonymous e dos softwares P2P (peer-to-peer) e outras. Cabe ressaltar que uma atenção especial foi dada à invenção (ou origem) do midialivrismo e sua bifurcação em midialivrismo de massa e midialivrismo ciberativista. Definições e relatos referentes ao midialivrismo são retomados várias vezes durante o livro. Mais à frente, durante o desenvolvimento do livro, toda conceituação de aspecto técnico parece servir à uma convergência de significação social, em que o funcionamento de uma determinada tecnologia, mantém similitude com o funcionamento ou estruturação da organização social. Talvez o exemplo mais elucidativo, seja o das topologias das redes P2P, que apresentam diversas configurações e são facilmente visualizadas através de representação gráfica, evidenciada através de “nós”. O hacker das narrativas – o midialivrista – ganha cada vez mais espaço no livro. Os autores baseados na obra de Negri e Lazzarato sentenciam: “A mídia livre é um meio para viver, um meio onde tempo do trabalho não se contrapõe mais ao tempo de vida”(…). Essa mesma mídia livre é a que disputa a guerra das narrativas com a mídia corporativa/massiva. A cobertura midialivrista e colaborativa está geralmente “associada a uma mobilização de grupos consorciados para produzir uma opinião pública que ultrapasse o consenso estabelecido pela imprensa”. Com um texto híbrido, caracterizando-se ora por sua informalidade, com um texto mais fluido, e ora pela formalidade, com um texto mais denso, que exige maior concentração; o livro mantém uma alternância entre estilos textuais, assemelhando-se à uma série de palestras, em que cada palestrante possuindo um estilo próprio, promove a diversidade, e caracterizando-se com um ponto positivo para o livro, já que essa característica impede que o livro torne-se monótono. Outro ponto a considerar é sua riqueza vocabular. Para entendê-lo de maneira satisfatória, é necessário atenção às palavras e expressões estrangeiras. Inglês, latim e alemão são os idiomas com maior quantidade de palavras estrangeiras presentes no livro. Cabe ressaltar também que mesmo em português, há palavras que são utilizadas por autores específicos, e que um simples dicionário ou apenas o conhecimento etimológico podem não ser suficientes para entender completamente o conceito por trás da palavra. São os casos, por exemplo, das palavras biopolítica e biopoder, utilizadas mais amplamente na obra de Michel Foucault. Entretanto, ao leitor interessado e atento, essa riqueza por certo não constituirá um obstáculo, ao contrário. Isso contribui para inserção do leitor dentro do cosmos comunicacional, sendo imprescindível para o entendimento do conteúdo do livro, a pesquisa de cada termo desconhecido, e adequação deste ao contexto específico proposto pelo livro. Além disso, durante todo o livro, Fábio Malini e Henrique Antoun, articulam com grande habilidade uma gama de autores tanto para fundamentar quanto para contrapor as teses abordadas. Ganham destaque nessa discussão principalmente, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Antonio Negri, Howard Rheingold, Piérre Levy e Lawrence Lessig, além de Michel Foucault em um trecho fundamental sobre lutas antidisciplinares. A leitura deste livro é recomendada para todos os interessados na área de TIC’s e midiativistas. As informações dispostas neste livro, são úteis tanto para pesquisadores da área de comunicação e informática por exemplo, quanto para todos aqueles que desejam entender os meandros da mídia corporativa, a construção da realidade e o “hackeamento” das narrativas massivas/corporativistas.
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