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    Noite - Sonata -

    Erico Verissimo

    Globo
    1954
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    6 avaliações
    Leram15Lendo1Querem18Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados18Avaliaram6

    [NOITE] Na grande cidade, um homem a quem o autor chama de Desconhecido, vagueia ao acaso envolto pela multidão apressada. Anoitece e a hora é de um calor sufocante. Ele não sabe quem é, onde vive, o que lhe sucedeu. Pode apenas sentir, e seu corpo lhe diz que está amedrontado. Em sua mente há uma tênue figura de mulher e o reflexo insistente de um fato terrível, mas nada mais consegue lembrar. Um dúbio sentimento de culpa o atormenta, impelindo-o à fuga, sem que possa refrear-se. De súbito está na zona do cais, num café de baixa categoria, e duas criaturas equivocadas o assediam. Parecem adivinhar nele um irmão, insinuam mesmo que é o assassino procurado pela morte de uma mulher naquela tarde. Um estranho fascínio o domina e ele se deixa arrastar noite a fora, aos lugares mais sórdidos, sem reagir. Pois não é ele um digno companheiro dos escusos hábitos noturnos dos dois, um assassino desmemoriado? A resposta a esse mistério e a busca da identidade perdida constituem o interesse principal dessa sombria narrativa de Erico Verissimo, em que os personagens e a trama ultrapassam a mera dimensão da realidade e adquirem um sentido alegórico, em que podem representar a eterna luta das trevas e da luz. Não se afastando do realismo social de seus outros romances urbanos, o consagrado escritor gaúcho aqui o aborda de uma perspectiva diversa, através de um clima de pesadelo que distorce as proporções dos seres e coisas cotidianas, acentuando-lhes os contrastes e com isso atingindo mais eficazmente o seu cerne. Escrito no verão de 1952, na praia de Torres, quando seu autor tentava concluir a terceira parte da trilogia O Tempo e o Vento, este livro teve uma história conturbada. Pela franqueza com que desvendava a "noite" de um homem, alguns setores do público o consideram uma aberta ofensa à moral vigente, colocando-o no ostracismo. A crítica, por sua vez, insistia em ilações psicológicas, que nada tinham a ver com a personalidade do escritor. Hoje, traduzido para várias línguas, entre elas o francês, o espanhol, o alemão, o norueguês e o inglês, foi inclusive filmado para televisão, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, tendo sido visto como uma das melhores criações de Erico Verissimo. [SONATA] — "uma fantasia poética em torno de uma viagem no Tempo, versão modificada dum roteiro cinematográfico nunca aproveitado "que escrevi há anos para uma fábrica de filmes mais fantástica ainda que meu conto". Prólogo de Érico Veríssimo, 'O Ataque' - Coleção Catavento #1 / Editora Globo de Porto Alegre, 1958. ===== http://educa-tube.blogspot.com/2012/10/sonata-de-erico-verissimo-musica.html https://cinema.uol.com.br/resenha/teste/2000/brava-gente---romance.jhtm "Sonata", baseado em Erico Veríssimo - Uma história no estilo "O Retrato de Jennie", em que um professor de piano (Ângelo Antonio) se apaixona por uma jovem (Mariana Ximenes) que viveu em algum lugar do passado. E para quem compôs a sonata. O mais romântico do pacote. Com bom elenco: Susana Vieira, Daniela Escobar, Tato Gabus, Nair Bello, Bettina Viany, Elias Gleizer. Direção de Jayme Monjardim, Teresa Lampreia. ==== http://institutohorizontebrasil.blogspot.com/2011/12/erico-verissimo-sonata.html ====== "No texto do conto fantástico "Sonata" de Érico Veríssimo, a Seção de Referência e Peródicos da Biblioteca Pública do Estado é cenario da ação do conto, (em Porto Alegre de Abril de 1940 e no ano do nascimento do protagonista, 1912). Também se comenta o papel "confuciano" do guia e funcionário da Biblioteca! SONATA de Érico Veríssimo (1944 / 1954?): '(...) Percebi então que estava à frente do edifício da Biblioteca Pública. O casarão pardo e severo tinha um ar tão convidativo e protetor que, sem saber exatamente por que, resolvi entrar. Atravessei o saguão de mármore, penetrei na sala de leitura e aproximei-me do funcionário a quem hoje chamo Confúcio por motivos que em breve ficarão suficientemente claros. Éramos já velhos conhecidos, pois eu costumava ir com alguma freqüência à Biblioteca. O homem ergueu os olhos e perguntou: "Que deseja o amigo? (...) O funcionário afastou-se, tornou pouco depois com dois grandes volumes encadernados debaixo do braço e depô-los sobre a mesa junto da qual eu me sentara. Comecei a folhear distraidamente os jornais, achando um sabor nostálgico nos anúncios de cinema e teatro, nas notícias da coluna social e principalmente nas apagadas reproduções de fotografias em que homens e mulheres apareciam com as roupas da época. (...) — E por que não? O funcionário soltou uma risada, mas em surdina, como convinha ao lugar e à hora. Apanhei o chapéu e saí. (...)"

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    Resenhas (1)Ver mais
    duda r picture
    duda r13/12/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    subestimado!!

    cara, que livro BOM! é reconfortante, como um abraço, um vento te refrescando de um passado que você amava, parece que o autor sabia do que eu precisava e queria tanto ler. bizarro ele parece uma junção de tudo o que já vi na infância, o que vemos nas novelas de antigamente, o que imaginamos que já foi o passado, o que é legal porque esse livro não só é de fato retratado num tempo antigo como também fala de uma época mais antiga ainda numa certa parte dele. ele tem um plot twist extremamente original, muito compreensível, direto e simples, e ao mesmo tempo que nunca li em nenhum outro livro, no máximo "a paciente silenciosa", mas ainda é diferente em muitas coisas, além de mais antigo, então foi a ordem das minhas leituras😅 enfim, fantástico!! dá vontade de morar nessa história. mesmo nas partes mais perigosas, a gente se sente seguro pela madrugada, uma parte do dia tão poderosa e calmante. amei ele!!!

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    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

    128 Livros
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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo