A menina que media as palavras -

    Luis Dolhnioff

    Quatro Cantos
    2013
    40 páginas
    1h 20m
    ISBN-13: 9788565850148
    Português Brasileiro

    Em A menina que media as palavras, o poeta Luis Dolhnikoff constrói com poemas-diálogos uma cativante conversa entre a menina Elvira e seu amigo “coloridão, bonachão e grandalhão”. Com grande beleza sonora e instigantes jogos de sentido, leva os pequenos leitores a descobrir a razão do nome das coisas, partindo da discrepância entre o tamanho delas e o tamanho das palavras que as designam – além de apresentar um olhar peculiar sobre os aspectos biológicos da turminha que habita este livro singular. Para as ilustrações, contou com o extraordinário trabalho do premiado ilustrador Guilherme Zamoner, que materializa Elvira e seu amigo, além de todo um mundo habitado por seres e coisas que são, ao mesmo tempo, conhecidas e inusitadas. Para isso, abusa de detalhes e constrói cenas divertidas e curiosíssimas, repletas de intrincadas traquitanas. A menina que media as palavras proporciona às crianças um contato maravilhoso – e verdadeiramente raro – com a linguagem poética.

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    Antonio Sampaio Doria18/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro ideal para crianças que estão começando a ler!

    A Menina que Media as Palavras é um livro altamente indicado para crianças que começam a aprender a ler e escrever. Mas não só! É um livro de altíssima qualidade. E o que é um livro de altíssima qualidade? É ter texto e ilustrações muito bem feitos, muito “trabalhados”, muito integrados. E o que isso quer dizer? Um texto não previsível, sem lugares-comuns, inteligente, poético e além de tudo isso acessível à criança. E ilustrações instigantes, nada óbvias, a ponto de exigir tempo e atenção para serem “descobertas”, decifradas, com muitos detalhes e mensagens paralelas. Emília Ferreiro estudou as fases de alfabetização da criança, e entre as fases está a pré-silábica: a criança acha que FORMIGA é uma palavra pequena e BOI é uma palavra grande, por analogia. E escreve formiga com duas letras e boi com dez. É aqui que começa esse livro. A Formiga. O Boi. A Bola e Elvira Formiga é uma palavra comprida, Mas boi é uma palavra mínima... Eu disse para mim certo dia. Humm... Mas o que é mínima? Perguntou então uma menina Que estava ali e eu não vira, Pequena de verdade E vestida só de verde, Mais parecendo uma ervilha: Ora! Antes que eu lhe diga, Poderia ter a sorte De saber seu nome? Elvira, ela sorrindo respondeu, Então quem deu a resposta fui eu: Mínima? É “bem pequenina”, Como você perto de mim, Como eu junto de um boi, Como a palavra boi na página, Ou como a formiga No meio de um jardim. Se é assim, por que o boi não se chama formiga E a formiga, tão pequenina, não se chama boi? Boa pergunta! Mas as palavras, “porque feitas de som, não são como as coisas são”. E a partir daqui começa a construção da BOLA: b, o, l, a — e não é que o “O” parece mesmo uma bola? Mas esse “O” está dentro do boi, e também da formiga... A ilustração mistura todos esses elementos com uma caixa-boi que tem um “O” no meio — ou seria o “O” um buraco? A Formiga. A Flor e A Minha Amiga Será que Formiga é uma combinação de “Flor” e “Amiga”? Mas as formigas não são amigas da FLOR — são amigas da própria barriga, porque “cortam fora a flor/ E a devoram.” A partir daqui o texto toma um rumo inesperado — um rumo científico. Pois as formigas não comem as folhas que cortam; elas comem o FUNGO que se forma sobre elas. Quer dizer: os fungos comem as folhas, e as formigas comem os fungos. A ilustração mostra um maquinário complexo de produção dos fungos. Aliás, as ilustrações incluem aparatos, aparelhos articulados, maquinários, cabos, roldanas... e um galo! Ou seria galinha? Existe ainda a associação do “fungo” com o nariz que “cafunga”, e dos nomes femininos com palavras sonoramente semelhantes: “A Elvira era a menina/ Mais viva que eu já vira. / A Clara era a mais iluminada./ A Sofia, a que mais sofria. / A Maria eu amaria. / A Dora toda gente adora. / .... A Sônia com insônia. / Já a Antônia vive atônita. / E a Lola é meio louca. / A Mônica, muito cômica. Existe ainda a borbolhenta, mistura de borboleta com “lenta” e “bolha”, pois ela é lenta e leve como um bolha, e também cachorros sorridentes que não mostram os dentes, e ainda a questão de fazer pipi de pé ou sentado. Tudo com humor e brilhantismo, uma leitura que instiga a segunda leitura, a terceira, a quarta... pois, como se disse, aqui nada é óbvio, muito pelo contrário.

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