Depois de uma praga quase destruir a humanidade e mudar drasticamente o planeta, um novo governo surge. Nessa nova realidade, as crianças órfãs são recolhidas e as meninas são enviadas para as Escolas. Lá devem seguir um cronograma rígido e depois de alguns anos, irão para uma espécie de “faculdade” com o objetivo de aprender ofícios que serão cruciais para reconstrução da sociedade.
Eva vive desde os 5 anos em uma dessas instituições, se destacando como uma das melhores alunas que já cruzaram aqueles portões. O principal ensinamento, aquele que acompanha todas as estudantes desde o início é: nunca, em hipótese alguma, jamais, de jeito nenhum, confie nos homens. Se, de algum jeito, tiver que escolher entre virar almoço de lobos ou ter que conversar com alguém do sexo oposto, corra para ser devorada.
Na noite anterior à formatura, Eva descobre que tudo aquilo é uma mentira. A vida que ela planejou não acontecerá; Eva não poderia esperar que o destino que a aguardava no prédio sem janelas que ela viu desde pequena, era tão assustador e horrível. Depois que a verdade é revelada, só resta uma saída: fugir. Depois dos muros que sempre mantiveram os perigos distantes, ela precisará enfrentar o mundo desconhecido e encontrar um modo de sobreviver.
O meu problema com esse livro surgiu já nas primeiras páginas com a rapidez de tudo. Eva era a aluna exemplar, nunca quebrou uma regra sequer; de repente, depois de uma conversa rápida com uma colega com que ela tinha uma péssima relação, a protagonista quebra várias dessas normas acreditando imediatamente na palavra dessa outra garota. Sim, a informação era verdadeira, então é necessário escapar daquele destino. Convenientemente, enquanto volta para seu quarto, é parada por uma professora que simplesmente decide que vai ajudá-la nessa fuga. Além disso, fiquei me perguntando como aquele jardim não estava lotado de pessoas procurando pela Arden, que tinha fugido mais cedo, afinal, se é um lugar para manter as meninas presas e uma delas consegue escapar, ninguém vai querer saber exatamente como isso aconteceu para evitar que se repita?
Enfim, depois disso achei que talvez a história melhorasse, mas não. Depois de anos ouvindo diariamente sobre o perigo que os homens representam, o que Eva faz pouco depois de fugir? Se apaixona instantaneamente por alguém que sempre foi ensinada a temer. Depois disso eu fui pegando cada vez mais ranço dessa menina. O ápice da minha raiva por essa protagonista fraca foi no momento em que é resgatada por um casal de idosos e não satisfeita, espera até que eles durmam para enviar uma mensagem ‘codificada’ para seu ‘namorado’, causando o caos e três mortes desnecessárias. Durante toda a leitura eu só ficava pensando “O que ela está fazendo????” ou “Eu não acredito nisso!”.
Em minha opinião, Arden merecia mais destaque; ela com certeza é mais interessante do que a própria protagonista. Essa paixãozinha entre Caleb e Eva não me convenceu nem um pouco, embora eu tenha gostado do rapaz. As cenas de que mais gostei foram as que Silas e Benny apareciam, eles eram muito fofos e meu coração apertou com aqueles dois meninos correndo atrás do caminho que levava as garotas embora. Talvez eu continue essa trilogia apenas para descobrir o que aconteceu com Arden, porque eu sinceramente não espero nada da Eva. A ideia era excelente, mas a estrela de tudo foi tão mal trabalhada que dói.