Decepção do ano.
Bom, é uma pena que eu não tenha gostado muito desse livro, já que desde o anúncio da editora de que ele iria sair, eu tinha criado uma certa expectativa por ele. Sou fã de escritores japoneses como o Murakami, Mishima e Dazai, mas não foi o estilo deles que encontrei lendo Kobo Abe. Ao ler a sinopse pela primeira vez, tive breves flashes de Higurashi passando pela minha cabeça, imaginei se tratar de uma obra com personagens tão marcantes quanto, com reviravoltas tão impactantes quanto. Não chegou perto disso, o protagonista é frágil e calcula demais os próprios movimentos, coisa que torna o progresso "real" dele bem lento. A mulher com quem ele convive na casa soterrada pelas dunas sofreu com a grande perda do marido e filho, mas mesmo assim parece não ter guardado ressalvas quanto a se aproximar de outro homem (um completo estranho, nesse caso). Com diversas cenas de abuso psicológico evidente por parte do protagonista, e algumas partes onde os dois fazem sexo, essa relação crua parece ser a coisa mais desagradável do mundo. Não consegui sentir empatia por nenhuma das partes, nem pelo protagonista que foi esquecido pelo mundo exterior, nem pela vila onde ele fica preso por diversos anos, que teoricamente foi isolada do mundo também. O sentimento é de que o autor tentou replicar as grandes obras do Kafka com seus personagens cuja percepção do mundo é totalmente distorcida, mas o que temos aqui é uma boa ideia com execução fraquíssima.




