Quiroga é um escritor que se define pela sua biografia, e que as constantes mortes que presenciou influenciaram completamente a escritura de seus contos. Diante disso, seria lógico dizer que o tema de Quiroga é a morte. Porém, uma leitura mais atenta de sua obra mostra que não é exatamente isso. Um de seus críticos, Pedro Luis Barcia, diz: “O tema do conto de Quiroga não é, como se diz habitualmente, a morte; é a perplexidade do homem ao enfrentar-se com ela; mais ainda, é a resistência tenaz do homem que reconhece que morre, a negação dessa ideia, a não aceitação dessa consciência" Tiro certeiro, fio do machado, inseto sanguinário, veneno de cobra, malária, febre fulminante, sol incandescente: seja qual for o agente produtor, o que unifica essa diversidade é a casualidade da morte. Porque seja qual for o seu momento, a morte cai como um raio, como um lance de dados, como uma roleta russa. O homem é um bicho jogado no mundo que observa a morte com assombro e incredulidade; cotidianamente tenta, de todas as formas, convencer-se de que ela não acontecerá; que é possível ocultá-la da consciência e, assim, colocá-la sempre para o futuro. Contos do livro: • Uma Estação de Amor: Primavera/Verão/Outono/Inverno • A Galinha Degolada • Os Imigrantes • A Insolação • O Travesseiro de Penas • As Meias dos Flamingos • Em Declive • O Filho • O Mel Silvestre • À Deriva • O Solitário • Passado Amor Horacio Silvestre Quiroga Forteza (Salto, 31 de dezembro de 1879 — Buenos Aires, 19 de fevereiro de 1937) foi um escritor uruguaio famoso por seus contos, que geralmente tratavam de eventos fantásticos e macabros na linha de Edgar Allan Poe e de temas relacionados à selva, sobretudo da região de Misiones, na Argentina, onde Quiroga passou parte da vida. Sua vida foi bastante atribulada:a morte do pai quando ele tinha 4 anos,o suicídio do padrasto,a morte do melhor amigo com um tiro acidental disparado por ele,o suicídio da esposa e de seus 3 filhos. Sua obra mais famosa são os Cuentos de amor de locura y de muerte (1917; título sem vírgula no original), na qual se encontra o célebre conto A Galinha Degolada. Em 1937, após ter sido diagnosticado com câncer, Quiroga cometeu suicídio, ingerindo uma dose letal de cianureto.


