Café com Lucian Freud -

    Geordie Greig

    Record
    2013
    308 páginas
    10h 16m
    ISBN-13: 9788501404145
    Português Brasileiro

    Lucian Freud é o mais famoso pintor inglês do século XX e seus retratos realistas e perturbadores são instantaneamente reconhecidos. Em uma biografia desconcertante, o leitor tem acesso pela primeira vez aos detalhes da peculiar vida de um dos maiores artistas de nosso tempo. Lucian proibiu a publicação de duas biografias autorizadas, mas permitiu que Geordie Greig — jornalista inglês, editor do Mail on Sunday — o encontrasse durante os últimos dez anos de sua vida no lendário Clarke’s, restaurante de Notting Hill, onde Lucian recebia os amigos e fazia quase todas as refeições. Aos poucos, eles desenvolveram uma forte amizade; Greig publicou algumas reportagens sobre Lucian em jornais e revistas e, após a morte do pintor, em 2011, começou a organizar o material gravado para escrever este livro. Greig proporciona um relato preciso e revelador de um artista que viveu sob suas próprias regras: nunca se rendeu a modismos estéticos, teve pelo menos 14 filhos, dois casamentos, inúmeras mulheres, sofreu com dívidas de jogo e era extremamente cético quanto à psicanálise. Além da profunda convivência, o autor entrevistou amigos, amantes e até alguns filhos de Freud, que nunca haviam falado publicamente sobre a relação com o pintor. A combinação de todas essas informações faz de Café com Lucian Freud um livro extremamente interessante, não apenas por seu caráter intimista, mas por retratar a personalidade genial que deixou como legado uma obra única e eterna, em tempos de imponderável renovação.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino03/06/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    café com lucian freud

    Em agosto passado vi a exposição de Lucian Freud organizada pelo MASP. Eram sobretudo gravuras e lembro-me de ter ficado aborrecido por não rever a potência de seus óleos (ok, haviam alguns, mas nada que impactasse como aqueles que vi no Thyssen-Bornemisza e no Reina Sofia tempos atrás). Fiz aqui um registro do belo catálogo que acompanhava a exposição paulista. Foi doña Marilu Kahl, grande amiga, quem me avisou naquela mesma época sobre a existência dessa deliciosa biografia: "Café com Lucian Freud". Publicado originalmente em 2013, dois anos após a morte do artista, é resultado de reiterada convivência entre biógrafo e biografado. Geordie Greig é um jornalista inglês que teve a sorte de ser incluído/aceito no restrito círculo de amizades de Freud e conseguiu, ao longo dos últimos dez anos da vida de seu biografado, uma série de entrevistas (ou antes, conversas informais, descontraídas) que se transformaram num livro. A edição é muito boa, incluí 46 reproduções fotográficas coloridas que por si formam uma bela narrativa do biografado; um índice e a árvore genealógica de Lucian (que o liga ao avó Sigmund Freud e aos 14 filhos reconhecidos como seus). Encontramos nele muita informação factual e história, além de fofocas divertidas e a descrição de alguns dos muitos causos mirabolantes vividos por Freud). Greig registra simultaneamente a genialidade do artista e a intratabilidade do sujeito. Charmoso e carismático, irascível e disciplinado, desde jovem Freud relacionou-se indistintamente com a alta sociedade inglesa e com gangsters, agiotas e outros sujeitos durões da Londres suburbana de seu tempo. Frequentemente Freud pagava suas dívidas de jogo com quadros (que hoje valem milhões) e utilizava os serviços dos mesmos gangsters para os quais devia dinheiro quando queria ameaçar alguém ou recuperar um quadro que não gostaria que fosse vendido para terceiros ou leiloado. A vida sexual de Freud percorre todo o livro, afinal ele teve 14 filhos reconhecidos como seus (muito embora exista quem defenda que ele pode ter tido até uma dezena mais, eventualmente assumidos por outros pais). A narrativa de Greig leva o leitor por seus relacionamentos, às mulheres que ele amou e odiou, ao distanciamento com que se ele relacionava com as pessoas que amava - a sua maneira, a forma como administrava as amizades: frequentemente provocando intrigas sob o pretexto de manter todos afastados de sua vida privada. Devia ser uma experiência incrível privar da companhia de Freud, participar de seus longos cafés da manhã ou sessões de pintura, ser convidado para ser um de seus modelos (praticamente a única forma de relacionamento que ele realmente praticava), mas devia ser igualmente arriscado contrariá-lo ou se indispor com ele. Pelo que se depreende do livro nenhuma emoção mundana ou convenção social afetava ou restringia seu comportamento, nenhuma barreira ética ou moral o impedia de manter seus hábitos, por mais condenáveis que fossem. Lucian Freud era o exemplo acabado de alguém desprovido de culpa, era o sujeito mais livre que se pode alcançar ser (ao menos ele o foi no século XX, em seus 88 anos). Como não gostar desse velho e intratável senhor. [início: 26/04/2014 - fim: 29/04/2014] "Café com Lucian Freud: Um retrato do artista", Geordie Greig, tradução de Waldéa Barcellos, Rio de Janeiro: editora Record, 1a. edição (2013), brochura 15,5x23 cm., 307 págs., ISBN: 978-85-01-40414-5 [edição original: Breakfast with Lucian (London: Jonatahn Cape / The Random House Group) 2013]

    1 curtida

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