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    Nossos ossos -

    Marcelino Freire

    Record
    2013
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788501404916
    Português Brasileiro
    3.9
    331 avaliações
    Leram498Lendo14Querem332Relendo0Abandonos6Resenhas26
    Favoritos19Desejados332Avaliaram331

    Meu nome é Heleno. Sou dramaturgo, protagonista deste prosa longa, primeiro romance de Marcelino Freire, e tenho um corpo morto de um michê para entregar ao seu pai e à sua mãe, mas não sei quem são e nem onde estão. Tudo porque nada escapa ao teatro. As coisas todas vêm ao palco e ficam aqui para sempre. Cheguei em São Paulo por causa de Carlos, meu primeiro amor, e para escrever peças, encantar plateias, “revelar esse mundo e inventar outros”. Para curar doenças, sofrer, amar, ser feliz, ser normal, ser outro, sempre outro narrando também a melancolia da infância, os restos mortais de tudo o que foi falado em minha casa e os fósseis que eu achava em meu quintal. Ah, se não fossem o público, os diretores, os jornalistas, os atores, os preparadores de elenco, os produtores, os outros nordestinos da técnica, eu não poderia fazer cara de necrotério, essa cara de forte, cara de rico, cara de vingança e cara de nada quando fico representando só para mim. E aí vêm meu amor pelo boy, Lourenço me levando para ser “enterrado no coração de meu pai”, o carinho por Picasso, a sinceridade arisca do michê, os seios de Estrela, o porteiro, o assassinato, o bancário, os outros michês, a fábrica de dominó, meus nove irmãos, o delegado, o IML, o cara do táxi no ir-e-vir dessa narrativa que Freire inventou. A malandragem paulistana. As pessoas da noite. As padarias… O teatro para mim era besteira d’alma, eram as brincadeiras vespertinas de criança, a cruz da interpretação, era a lembrança de minha mãe (todas as personagens que eu inventei são ela). Nesta vida, amei os aplausos, as viagens, as críticas de elogio, o sexo de curiosidade com os artistas bem-sucedidos, as metidas de rua, adorei foder gostoso atrás dos fliperamas. Eu amei de tudo e vou continuar amando. Heleno de Gusmão, em depoimento ditado para Paulo Lins

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    Charlene Ximenes picture
    Charlene Ximenes09/08/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nossas dores

    A obra do Marcelino Freire, autor contemporâneo brasileiro, traz uma prosa poética que bagunça e incomoda o leitor. Já li alguns de seus livros e gosto muito das sensações que seus textos me trazem. Freire é pernambucano (precisamos ler mais autores nordestinos), já ganhou o prêmio Jabuti e o Machado de Assis (da Fundação da Biblioteca Nacional). A obra já foi traduzida para o francês e espanhol. "Nossos ossos" é a primeira novela de Marcelino, que já havia se consagrado como contista. É importante destacar a arte da capa que é de Lourenço Mutarelli. O tom autobiográfico é evidente ao longo da narrativa, que reflete a trajetória de Heleno, um sertanejo pernambucano que se firma em São Paulo como dramaturgo e acaba entrando em crise ao saber que um dos seus amantes foi assassinado. Uma característica peculiar é que os episódios da narrativa são alternados com relação ao cadáver do amante e às memórias da infância de Heleno até sua chegada em São Paulo. Angustia, dor, fragilidade, as relações que remetem à vida nas ruas bem como tensões constantes no que toca às relações humanas estão presentes na novela.

    9 curtidas

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    3.9 / 331
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Marcelino Freire profile picture

    Marcelino Freire

    Escritor pernambucano, mora em São Paulo desde 1991. Despontando como um dos grandes escritores da chamada geração 90, Marcelino é o idealizador e organizador da Balada Literária, evento que reúne diversos ecritores no bairro da Vila Madalena, na capital paulista. Publicou os livros de contos "Angu de Sangue" (2000), "BaléRalé (2003), "Contos Negreiros" (2005) e "RASIF - Mar que arrebenta" (2008), e o livro de aforismos "eraOdito" (1998-2002). Com "Contos Negreiros", Marcelino ganhou o Prêmio Jabuti, na categoria "melhor livro de Contos e Crônicas". Tem textos publicados em vários países e antologias. É também editor.

    18 Livros
    113 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Marcelino Freire