O Cabeleira, apesar de ser uma obra do Romantismo, escapa para algo como um romance regionalista em que a ornamentação, a formação descritiva serve para chocar o leitor com a força dos momentos narrados. Não é para dizer que haja cenas explícitas ou vocabulário carregado, pelo contrário, a ideia é emocionar e chocar o leitor com a crueza da vida dos personagens e suas tragédias. A crítica de Távora não poupa governo, religião ou mesmo a população. Tem-se a noção pela carência e ignorância que a marginalização dos personagens poderia ter sido evitada se aquela população pudesse ter tido alguma assistência. Cabeleira não é o típico personagem principal, pois é o antagonista e suas crueldades - que afetam sua família e sua namorada - não são esquecidas ou perdoadas, independentemente de seu remorso. É uma boa história que se tivesse recebido um pouco mais de desenvolvimento, poderia facilmente competir com outros clássicos brasileiros que retratam o período posterior ao retratado, o cangaço.









