Diagnosticada com a síndrome do pânico, tudo o que Marina deseja é encontrar um lugar confortável neste mundo. Numa narrativa em primeira pessoa, detalhada e realista, Marina nos expõe sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, religiosa e familiar. Psiquiatras e psicólogos fazem os papéis de heróis neste livro tão impactante quanto revelador, que tem suas partes de amizade e amor ao próximo. Como não se emocionar com Péqui ou não se apegar ao veterano de guerra que cuida de Marina? A agorafobia é outro tema abordado de maneira tocante nestas memórias. Um drama original, escri- to em linguagem incrivelmente acessível, para quem deseja conhecer a síndrome do pânico, seus possíveis desdobramentos em nossas vidas e aqueles tratamentos mais famosos. Um romance moderníssimo, humano e esclarecedor.
A garota que tinha medo -
Breno Melo
Um livro extremamente delicioso de ler, o autor escreve de maneira tão envolvente que as vezes eu me sentia meio Marina, me confundindo com sua voz. O drama soa tão real, que é difícil acreditar nas ultimas notas do livro, nos esclarecendo que é uma obra de ficção. O tema abordado é bem delicado, mas não deixa questões soltas, sendo tratado minuciosamente, de forma leve e prazerosa, além de ser bastante esclarecedor e por vezes emocionante. Acredito que livros como este são indispensáveis tanto pra quem sofre com o distúrbio, bem como aos que o desconhecem, como forma de abrir novos horizontes. Também não posso deixar de citar as referências e citações que o autor traz ao longo do livro, bem como informações super legais sobre o Paraguai que eu ignorava completamente :) Deixo aqui algumas frases do livro que me identifiquei ou que me marcaram de alguma forma: "Eu passava os dias ansiosa, olhando mil vezes o relógio a cada segundo, procurando me distrair com algo dentro de casa, até que chegava a noite e a hora de tomar o remédio. Uma única dose de dez miligramas para começar. Me levantava tarde no dia seguinte, me perguntando quando chegaria a noite para que eu pudesse dormir. E ficava triste quando acordava cedo, porque eu não queria alongar meu dia. Para que uma hora a mais de sofrimento?" "O que eu não percebia é que minha felicidade estava limitada pelo momento, pela situação ou por terceiros. Todas as coisas que me faziam feliz, nessa época, estavam fora de mim." "Quase ninguém está preparado para se olhar no espelho. A maioria arrancaria os olhos ou quebraria o espelho. Eu quis fugir após a segunda ou terceira sessão, mas não podia. Eu tinha que estar ali para meu próprio bem." "Mas por que sofremos? A felicidade que a maioria de nós espera é idealizada; e uma felicidade idealizada só existe no mundo das ideias, onde não vivemos. Eu, por exemplo, posso ser feliz apesar da síndrome do pânico (porque este é o mundo palpável em que vivo), mas negar a síndrome para ser feliz me levaria a um mundo ideal, onde não vivo." "Descobri que aqueles que sofrem, têm motivos que muitas vezes desdenhamos. Até que chega nossa vez de sofrer e os compreendemos perfeitamente." "Quem supera seus medos é mais corajoso que aquele que nunca os teve ou jamais os enfrentou."
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