Embora pouco conhecido em nossos dias, Lindolfo Paoliello é um legítimo representante da tradição de cronistas mineiros. Em sua coletânea “Banquete dos Mendigos – Aventuras no Cotidiano Brasileiro”, de 1992, enxergarmos um cronista simples, mas bastante sincero e que pratica o gênero com tudo o que tem direito.
Estão lá as principais características da crônica, como a metalinguagem, o diálogo com o leitor, o lirismo e a poesia, o humor cotidiano, o retorno ao passado, o noticiário como inspiração, e sobretudo essa angustiazinha que todo cronista tem diante dos problemas sociais do país.
O tom de Paoliello também é o mais típico para o gênero, leve e sem grandes exclamações, e de certa forma até positivo e esperançoso. Há certos exageros aqui e ali, mas nada que justifique tamanho desconhecimento do seu nome. Vale a pena uma leitura.