Nos anos vinte, Duque-Costa era um símbolo. Nele víamos o romântico a resistir às primeiras investidas do realismo; não se fala de literatura, mas do realismo da vida, das novas concepções que passaram a dominar a sociedade de todos os países depois da Primeira Guerra Mundial. O tipo clássico do poeta alheio aos problemas da vida, que se impunha em contornos tão diversos dos tempos dos bebedores de absinto, busncando na embriaguez os contatos com a genialidade. Muitas vezes, Duque-Costa perdia-se em reminiscências da vida de Byron, morrendo na luta pela independência da Grécia, e Shelley era um irmão de sua alma. Os “satânicos” como Baudelaire povoavam a sua mente e em tudo por tudo era refinado, singular, até bizarro; revivia em nossa lembrança o tipo de deveria ter sido o de Álvares de Azevedo. Poeta de extraordinária sensibilidade, o último dos grandes simbolistas, recusava- se a publicar livros. Qundo lhe dizíamos: “Vamos imprimir os teus poemas”, Duque repelia a ideia. E certa vez disse-me. “Os pássaros não imprimem os seus cânticos.” “Nós os líamos esparsos em revistas ou por ele mesmo recitados, e o fazia com requintes de declamador, gestos medidos e uma voz sonora.
O Livro Poético de Duque-Costa -
Duque-Costa
Imago
2011
184 páginas
6h 8m
ISBN-13: 9788531210860
Português Brasileiro
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