O Império Galáctico é uma extraordinária conquista da humanidade. Seu domínio se estende por 25 milhões de mundos. Trantor, sua capital, é uma gigantesca metrópole povoada por 40 bilhões de habitantes. Um deles, no entanto, está destinado a transcender sua própria existência, embora não tenha consciência disso. Ele é Hari Seldon. Seu feito, a criação uma nova ciência que pode antecipar o comportamento das massas e prever acontecimentos futuros. Baseada em equações matemáticas, sua psico-história será, um dia, a pedra fundamental da Fundação. Prelúdio à Fundação é o sexto volume da celebrada saga da Fundação, porém narra os eventos que antecedem o primeiro livro.
Prelúdio à Fundação (Extensão da série Fundação #3) -
Isaac Asimov
Um Prelúdio com Falhas
Prelúdio à Fundação, em minha opinião, teve um início promissor ao abordar o ponto de partida da maior criação do universo asimoviano: a psico-história. Aqui acompanhamos um jovem Hari Seldon, com apenas 32 anos, ainda dando os primeiros passos rumo à ideia que se tornaria a teoria capaz de prever o futuro do Império Galáctico. A estrutura do livro remete à trilogia clássica, com introduções em tom enciclopédico e um enredo que começa com um clima instigante de conspiração política e perseguição, evocando, por alguns instantes, a mesma sensação que experimentei ao ler a trilogia original. Desde o início, Seldon se tornar alvo do imperador Cleon I e de seu conselheiro Demerzel, que veem na psico-história uma possível chave para escapar do destino comum a seus predecessores: o assassinato. Essa ameaça constante é o que impulsiona o enredo até o desfecho. O trio formado por Hari Seldon, o jornalista Hummin e a historiadora Dors Venabili se mostra promissor nas primeiras páginas, despertando meu interesse pelo ritmo e pelo tom quase conspiratório. No entanto, à medida que a trama avança, a falta de bom senso nas decisões dos personagens começa a se destacar de forma desconfortável. É difícil aceitar que alguém como Seldon, tido como um gênio matemático, aja de maneira tão simplista e imprudente, especialmente considerando que ele é um fugitivo do Império. Ele raramente questiona ordens e sugestões de estranhos, assume deduções apressadas como verdades absolutas e parece incapaz de fazer análises críticas básicas, algo especialmente frustrante quando se considera que estamos falando da mente por trás de uma das ideias mais revolucionárias do universo de Asimov. É quase como se ele soubesse que nada de ruim iria lhe acontecer. Quem, em sã consciência, sendo um fugitivo, aceita ser guiado por estranhos para lugares ermos e longe de qualquer ajuda? (E isso acontece mais de uma vez). Quem, estando em fuga, sai por aí alardeando seu nome verdadeiro e dizendo que é o matemático criador da psico-história para quem quiser ouvir? Lendo esses absurdos eu só conseguia pensar no Ultron dizendo: "Você abusa de ser ingênuo." A condução da história recorre com frequência a facilidades de enredo: personagens que se expõem sem necessidade, soluções que dependem quase exclusivamente da fada da conveniência e conclusões forçadas. Em vez de nos convencer da genialidade de Seldon e de sua capacidade de se tornar o cientista que vemos em Fundação, a narrativa o apresenta como um forasteiro desinformado que não conhece nada (e não é exagero, é nada mesmo) sobre a história de Trantor, o planeta que é o centro do Império Galáctico. Além disso, ele está sempre em constante necessidade de ser salvo de enrascadas em que ele mesmo se meteu por pura ingenuidade, para não usar uma palavra mais forte. Apesar disso, há méritos. A escrita de Asimov continua fluida e rápida, com capítulos quase inteiramente compostos por diálogos que tornam a leitura dinâmica e até envolvente. O autor também aproveita a jornada de Seldon por diferentes setores de Trantor para apresentar as desigualdades sociais e os problemas estruturais do Império, construindo um pano de fundo importante para as obras que (na ordem de publicação) vieram antes. A ambientação é rica, e o universo continua, de certa forma, fascinante. Ao final, Prelúdio à Fundação não me parece à altura da promessa que representa. Sim, o livro entretém, mas não convence plenamente, sobretudo para quem, leu praticamente toda a saga e já enxerga com mais clareza as costuras por trás da grande tapeçaria criada por Asimov.
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