A música "Como nossos pais", de autoria do músico brasileiro Belchior e eternizada na voz de Elis Regina, atravessa os anos emocionando gerações. Não é à toa. Versos como "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos/ Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais" carregam uma força espontânea que nos faz pensar sobre a proximidade que temos com o universo dos nossos pais, mesmo com a enxurrada de mudanças e reviravoltas que fazem dias parecerem meses e meses transformarem-se em anos.
Apesar da crescente atomização do indivíduo e do "toma lá, dá cá" sentimental vivenciado pela nossa sociedade - fruto de uma máquina onde o capital e o mercado são consciências visíveis -, algumas iniciativas fazem emergir relações formadas por laços, onde o poder do contato familiar é equilibrado com respeito, saúde e afeto. Essa é a impressão que tive da obra "Meu Passo, Seus Passos: 100 poemas de pai e filha" (editora Alcance, 2013, págs. 144), de autoria da jornalista Camila Tapia Passos de Oliveira e do jurista Avenir Passo de Oliveira, respectivamente filha e pai.
continue lendo em