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    A Gaivota -

    Anton Tchékhov

    Cosac Naify
    2004
    111 páginas
    3h 42m
    ISBN-10: 8575033085
    Português Brasileiro
    4
    576 avaliações
    Leram1016Lendo63Querem518Relendo0Abandonos4Resenhas30
    Favoritos9Desejados518Avaliaram576

    A Gaivota narra os conflitos de um jovem escritor. Os conflitos dos personagens criam uma ligação direta com o espectador ao mesmo tempo em que apresenta uma visão profunda de uma sociedade cada vez mais vulnerável aos males existenciais. A peça representa uma harmonia estética natural, algo incompatível com a frustração encarada pelo personagem central da trama. A poesia é um dos recursos mais utilizados. A figura central da peça chama-se Treplev é um filho de uma atriz famosa, Arkadina, que ao apresentar sua peça ao ciclo social de sua mãe fracassa duas vezes: Por sua peça rejeitada pela elite da arte e por seu amor, Nina, ter se apaixonando se por Trigorin, famoso escritor namorado da mãe de Treplev. Treplev é um hamlet da comédia, um escritor romântico cheio de mudanças de humor e em permanente conflito interior, ridicularizado ainda mais pelo contraste entre os seus ideiais utópicos e as roupas simples e ridículas que usa, como pretendido por Tchecov, para espanto daqueles que viam na figura de Treplev um herói. Quando ele se decide suicidar, ouve-se um disparo vindo do jardim. Na casa, todos ouviram o disparo e pressentiram o que se passava. É então que Dorn diz: "aquilo foi um frasco de éter que rebentou", uma passagem que siderou alguns dos encenadores.

    Edições (3)

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    Resenhas (30)Ver mais
    Raony Francisco Moraes picture
    Raony Francisco Moraes20/08/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Nesta peça controversa e polêmica - ao menos para o espírito da época na qual ela fora encenada pela primeira vez, tendo custado ao autor críticas austeras - Tchékhov tece sua crítica ao teatro de sua época, elencando os sintomas de decadência não só da forma teatral mas do modo de vida da Rússia em que vivia; e mostra-nos, diferentemente de um simples crítico da negatividade, um outo teatro, pois o fracasso de sua peça deve-se, unicamente, a sua originalidade inegável. Dir-se-ia um teatro imanente à vida, que não põe em cena personagens gloriosos, heróis, vilões, mas a vida, por vezes miúda e medíocre, de pessoas comuns tentando dar jeito em suas próprias existências. Outra transvaloração do autor é no que diz respeito a estrutura da trama que não desenrrola-se mais à guisa de maniqueísmos, isto é, não são mais histórias em que o Bem e o Mal dispuntam entre si o domínio sobre o mundo, mas indivíduos vivendo suas vidas na pura inocência do devir, ou seja, sem culpa, sem o peso da culpa, daí a completa ausência de "mocinhos" e "bandidos". Não há encadeamentos causais entre os acontecimentos que se sucedem, inclusive os mais terríveis. Há tão só a vida em seus movimentos variados. Esta peça é, sem dúvida, uma chave para a nossa época e não apenas para a Rússia de Tchékhov, pois a decadência que ele pressentia é a nossa, ele fala já de um certo niilismo. Isso outros treatólogos também perceberam.

    11 curtidas

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    4 / 576
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    • 1 estrelas1%