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    A História Maravilhosa de Peter Schlemihl -

    Adelbert von Chamisso

    Estação Liberdade
    2003
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-10: 8574480649
    Português Brasileiro
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    A certa altura de seu romance "As Ilusões Perdidas", Balzac refere-se a uma obra então muito difundida entre jovens parisienses "ávidos por leitura e desprovidos de dinheiro". Trata-se da misteriosa narrativa que se apresenta aqui ao leitor brasileiro, a qual Thomas Mann caracterizou como "novela fantástica", apoiando-se certamente na breve definição formulada por Goethe em 1827: "Pois que outra coisa é a novela senão um acontecimento inaudito?" Em torno de um episódio dos mais inauditos (a troca da sombra por uma inesgotável "bolsa da fortuna"), Chamisso elaborou uma história que, desde a sua publicação em 1814, vem suscitando as mais variadas interpretações. Pois o que significa propriamente essa sombra que o ambicioso Schlemihl cede ao "maligno" e cuja falta o faz mergulhar na mais profunda miséria humana, que ele só consegue superar - agora então como botânico - mediante um retorno à natureza de caráter maravilhoso mas também tipicamente rousseauniano? Simbolizaria a ausência de sombra uma condição vivenciada pelo próprio Chamisso, a do homem sem pátria e sem raízes? Estaria a sombra figurando a solidez burguesa, o prestígio social calcado na aparência? Seria ela enfim uma espécie de "alma exterior", para recorrer aqui à famosa teoria esboçada por Machado de Assis no conto "O Espelho"? O leitor perceberá que é a própria impossibilidade de apreender conceitualmente o significado profundo dessa novela que lhe confere o fascínio imorredouro, testemunhado por artistas como E.T.A. Hoffmann, Heine, Balzac, Kafka, Thomas Mann, entre vários outros.

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    Chamisso

    Chamisso nasceu na França, no château Boncourt, em Champagne e foi batizado com o nome Louis Charles Adélaïde de Chamissot. Expulsa pela Revolução Francesa, a família fugiu pela Holanda até se estabelecerem por curto espaço de tempo em Berlim, onde Chamisso estudou no Collège Français de Berlin. Em 1796 tornou-se pajem de Luise Friederike von Preußen. O jovem Chamisso, então, alistou-se no regimento de infantaria prussiano em 1798, onde tornou-se tenente em 1801 - então nomeava a si mesmo Ludwig von Chamisso. Sua família retornou à França, ele, porém, permaneceu na Alemanha e seguiu na carreira militar. Fundou, em 1803, o Berliner Musenalmanach, com Varnhagen von Ense, no qual seus primeiros versos foram publicados, estabelecendo sua reputação como poeta. Após vários revezes e decepções, juntou-se ao círculo de Madame de Staël e a seguiu em seu exílio na Suíça, onde começou a se dedicar à pesquisa botânica. Em 1815, conseguiu o posto de botânico na expedição náutica russa Rurik, comandada por Otto von Kotzebue. Seu diário de viagem dá deliciosos relatos da expedição. Após seu retorno, em 1818, conseguiu um cargo no jardim botânico de Berlim e foi aceito como membro da Acadêmia de Ciências. Ele morreu em Berlim aos 57 anos.

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