Este trabalho constitui uma análise de Os Contos de Belazarte, de Mário de Andrade. De início, é identificada a origem da personagem-narrador, como embasamento para o estudo do ponto de vista. A duplicação do foco narrativo, indicada pela fórmula "Belazarte me contou:", compreende tensões e distanciamentos desveladores da visão de mundo do autor. Na estilização, verifica-se a coexistência contrastiva do culto e do popular, do moralismo realista tendente ao pessimismo - indicativo de uma consciência problemática - e da linguagem vivaz, obtida com a captação da oralidade e com a presentificação do ato de contar. Em seguida, investiga-se a representação da inconsciência das personagens, cujas limitações, em vários sentidos, conduzem a desfechos infelizes. Na tematização da felicidade e da inconsciência, é buscado um liame para a interpretação d'Os contos de Belazarte enquanto manifestação de um determinado momento da trajetória intelectual de Mário de Andrade.
