Evelina é uma obra encantadora. Não foi à toa que Frances Burney, conhecida também por Fanny Burney, inspirou o estilo Jane Austen. A obra conta a história de Evelina, a filha adotiva de um reverendo, cuja mãe morreu pouco depois de tê-la dado à luz. As circunstâncias do seu nascimento são um tanto nefastas: a mãe foi enganada pelo pai, que a abandonou alegando nunca ter-se casado com ela. O livro, que é epistolar, trata-se de um período em que Evelina é requisitada para acompanhar os Mirvan mais especificamente a única filha dessa influente família, que tem a mesma idade dela em passeios diversos pelo interior da Inglaterra. Entretanto, durante esse período, é necessário que a família vá a Londres, viagem em que é pedida a permissão do reverendo para que Evelina também os acompanhe. Em Londres ela encontra pessoas de sua família que não conhecia e começa a reconstruir sua história de vida a partir desses encontros.
Evelina - Or the History of a Young Lady's Entrance into the World
Fanny Burney
Precursora de Austen
Evelina é uma jovem garota que fará sua entrada ao mundo. Era um costume típico nas culturas europeias, “to come out”, isto é, ser apresentada aos espaços públicos, evidenciando sua disposição a um possível casamento. Mas Evelina possui um problema: ela não é reconhecida como filha legítima. Seu pai, Lorde Belmont, praticamente rasgou a certidão de casamento com a mãe de Evelina. Não-reconhecida pelo pai e órfã de mãe, Evelina é criada pelo reverendo Villars, que a educa sob preceitos cristãos no interior da Inglaterra. Dezoito anos depois, a avó materna de Evelina, Madame Duval, vai à Inglaterra com a intenção de reconhecê-la. Evelina, neste momento, está indo para Londres pela primeira vez com a família Mirvan, composta pela dócil Mrs. Mirvan, pela amiga e confidente Maria Mirvan e pelo capitão Mirvan (homem que odeio profundamente). O livro é cheio de situações constrangedoras que me fizeram fechar o livro várias vezes com a intenção de respirar fundo até que a vergonha alheia passasse. Evelina, nada acostumada com a vida londrina, conta-nos as normas sociais. Nós a vemos crescendo, aprendendo com os erros e, de jovem tímida, a cada situação torna-se mais assertiva. Por sua posição incerta, Evelina transita entre a alta e “baixa” classes. Entramos em contato com os mais diversos tipos: o conservador reverendo, a progressista Mrs Selwyn, a impolida família Branghton, o libertino Sir Willoughby (suspeito que foi daqui que Austen tirou a inspiração para o personagem homônimo), o educado Lord Orville. O livro, apesar de ser divertido por vários pequenos incidentes (pequenos na nossa visão, de século XXI, mas ENORMES para a sociedade da época), me incomodou em certas partes. Apesar de Frances Burney ter dito no prefácio que os acontecimentos são verossímeis, achei difícil engolir alguns. Além disso, também fiquei muito incomodada com as atitudes do Captain Mirvan, que não beiram a violência, mas ultrapassam-na. Porém, sei que homens como o Captain Mirvan existem até hoje. É um livro divertido, no geral. Fiquei feliz pela Evelina no final!
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