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    História Geral da Civilização Brasileira (História Geral da Civilização Brasileira #7) - Tomo II: O Brasil Monárquico, vol. 7: Do Império à República

    Sérgio Buarque de Holanda

    Bertrand Brasil
    2005
    504 páginas
    16h 48m
    ISBN-10: 8528605078
    Português Brasileiro
    4.3
    19 avaliações
    Leram76Lendo40Querem264Relendo2Abandonos0Resenhas1
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    A Bertrand Brasil está renovando o projeto gráfico da coleção História Geral da Civilização Brasileira, obra de referência nos cursos de ensino médio e superior. Há 40 anos no mercado editorial brasileiro, é uma publicação sem paralelo na nossa produção intelectual: abrange cronologicamente toda a História do Brasil até 1964 em um nível de tratamento elevado, mas não indecifrável. Totalizando 11 volumes, a obra – dirigida por Sérgio Buarque de Holanda (períodos colonial e monárquico) e Boris Fausto (período republicano) – analisa diferentes campos da formação histórica do país, desde a organização material da sociedade até as formas de cultura e do pensamento. Este sétimo volume compreende o período de transição entre o Império e a República. Os dois primeiros volumes são dedicados à época colonial: Do Descobrimento à Expansão Territorial e Administração, Economia, Sociedade. Especialistas estudam o processo de constituição e consolidação do Brasil como colônia portuguesa, abrangendo desde os aspectos econômicos e sociopolíticos até os temas medicina colonial, música barroca e expedições científicas. O período monárquico é tratado em cinco livros: O Processo de Emancipação, Dispersão e Unidade, Reações e Transações, Declínio e Queda do Império e este Do Império à República. Inicia-se com a análise das condições de emancipação do Brasil e se encerra com a crise do regime monárquico e a transição para a República, em um volume, clássico, inteiramente escrito por Sérgio Buarque de Holanda. Os quatro volumes do período republicano, por sua vez, são Estrutura de Poder e Economia (1889-1930), Sociedade e Instituições (1889-1930), Sociedade e Política (1930-1964) e Economia e Cultura (1930-1964). Dividem-se em duas épocas: uma anterior e outra posterior a 1930, ano de crise mundial e de revolução no Brasil. Há, na parte final dos livros que encerram cada período, uma bibliografia e uma cronologia sumária, indicando os acontecimentos relevantes no Brasil e no mundo, que servem de marco para a época estudada.

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    André Sekkel Cerqueira17/07/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Do Império à República

    Em 1972, Sérgio Buarque de Holanda publicou seu último livro em vida, o sétimo volume da coleção por ele organizada, História geral da civilização brasileira. Diferente dos outros volumes, este foi escrito inteiramente por um autor, sem contribuição dos artigos de pesquisadores especializados, como havia sido feito nos outros. Do Império à República é inteiro de autoria de Sérgio Buarque de Holanda. É curioso notar a maneira como organizou a coleção: são três tomos, um para cada período de nossa história. O primeiro trata da descoberta e colonização, em dois volumes, apenas. O segundo tomo, de cinco volumes, é destinado ao Império, cuidando inclusive da transição à República. O terceiro tomo, sob organização de Boris Fausto, por conta do falecimento do professor Sérgio, composto por quatro volumes, trata de nosso período republicano. Notemos que o período de maior duração, a época colonial, tem apenas dois volumes, o que não é por acaso. Muitos dos pesquisadores que trabalham com a obra de Sérgio Buarque de Holanda pensam que o historiador, quando convidado a organizar a coleção, teria suprimido o período colonial, pois ainda não existia Brasil – era a América portuguesa –, e começava a partir de 1822. Mas, pressionado, teve de ceder a pelo menos dois volumes coloniais. Do Império à República está dividido em cinco partes, que tratam desde o período da Guerra do Paraguai até a proclamação da República, feita pelo Exército em 1889. Aparecem questões políticas, militares, econômicas e sociais na transição de sistema de governo. Na primeira parte o foco está no começo da Guerra contra o Paraguai, na década de 1860. Na segunda parte Sérgio Buarque se foca mais no poder imperial, procurando entender como ele agia, quem o apoiava, quem o criticava. Foi atrás de fontes diversas, como panfletos que circularam entre as décadas de 1860-70 no Rio de Janeiro e criticavam o poder pessoal do Imperador D. Pedro II, que chegou a ser comparado com Jorge III da Inglaterra. O autor ainda coloca as contradições do sistema, que se pretendia parlamentar, mas com a decisão última da Coroa. Além disso, D. Pedro II, com o poder moderador, poderia dissolver a câmara temporária quando quisesse, desde que houvesse uma desculpa para isso (tal é a interpretação de Sérgio), o que ameaçava tanto os conservadores quanto os liberais que estivessem no governo. Ainda nesta segunda parte, trata do falseamento das eleições, tema até hoje muito debatido, que ocorria sempre que o partido do governo fazia a maioria na câmara, para governar tranqüilamente. Na terceira parte o foco são as reformas, desejadas por D. Pedro II, como a do Ventre Livre e a do voto direto. Sérgio Buarque nos coloca a par de todas as tramas que aconteceram nesse momento, sempre no período da década de 1860 até o final da de 1880, para que as reformas fossem feitas, conforme o desejo do Imperador. Os documentos utilizados pelo historiador são a correspondência trocada entre os ministros e D. Pedro II, jornais do Rio de Janeiro, atas da câmara entre muitos outros. Destaca-se aqui o Ministério comandado por Rio Branco, o mais longo e o que mais fez reformas, inclusive a polêmica Lei do Ventre Livre, em 1871. Faltou fazer apenas a reforma do voto direto, a famosa Lei Saraiva. Esta lei é o palco da quarta parte do livro. Talvez seja a discussão mais próxima de nós, pois trata de temas como o sufrágio universal, o voto censitário, o voto dos analfabetos, assuntos que ainda em 1972, quando foi publicado Do Império à República, não haviam sido resolvidos e estavam em discussão. O voto dos analfabetos, aliás, só foi permitido após a Ditadura Militar. Não é, portanto, por acaso que Sérgio Buarque de Holanda seja mais crítico nessa parte, como podemos constatar neste trecho: “Oito anos depois [de ser aprovada a Lei Saraiva, em 1881], já à véspera de proclamar-se a República, um dos capítulos de uma obra de propaganda do Brasil, expressamente preparada para a Exposição Internacional de Paris, trará este fecho significativo: ‘Até a revisão de 1887, o número dos eleitores no Brasil somava um total aproximado de 200.000, isto é, 1,5% da população. É um dos menores eleitorados que se conhecem.’ E a situação não mudará apreciavelmente nos 40 anos que se seguirem à queda do regime.” (p.284). Além dessa crítica, o nome dado a esta parte do livro é “’da constituinte constituída’ à Lei Saraiva”, ou seja, a Lei foi aprovada por uma constituinte cujo resultado já estava pronto. A expressão, “constituinte constituída”, foi cunhada naquele momento de discussão e o historiador a tomou emprestada para fazer a sua crítica ao que aconteceu e ao que acontecia ainda no momento em que escrevia. A quinta parte, “a caminho da República”, como o próprio nome diz, trata das questões da transição do sistema de governo. Talvez o que mais chame a atenção seja o papel desempenhado pelo positivismo, analisado por Sérgio Buarque de Holanda de maneira clara, explicando como o positivismo entrou no Exército – o que, a princípio, poderia parecer uma contradição, já que esta é uma doutrina pacifista – através dos argumentos que mais tinham a ver com sua causa e, ignorando, ou deixando de lado, o que pregava efetivamente a Igreja Positivista dos seguidores de Comte. Para melhor ilustrar a questão cito o próprio autor: “Uma vez que a adesão à doutrina como um todo, segundo as exigências do Apostolado, só leva a resultados teóricos, tornava-se invencível a tentação de aceitar aquelas partes que pareciam encontrar mais fácil aplicação ao país (...). Para chegar à ação regeneradora ou redentora de um mundo corrompido até às vísceras, era inevitável o recurso à violência. Invertia-se, por essa forma, o processo imaginado por Augusto Comte (...). Nessas condições, o positivismo, no Brasil, ou o que fosse possível utilizar do positivismo, vai servir principalmente para despertar forças eruptivas, ganhando adesão nas classes onde lavra maior descontentamento em atos” (pp.350-351). A idéia que fica evidente é de que a República foi um golpe do Exército, que de fato a proclamou a 15 de novembro de 1889. Os políticos republicanos, e o Partido Republicano, não eram de todo amigáveis ao positivismo, mas acabaram aliando-se ao Exército a fim de lutar pela causa maior, o fim da Monarquia. Interessante notar também que Sérgio Buarque de Holanda não perde de vista os acontecimentos, voltando a falar da Guerra do Paraguai e das querelas posteriores com a Argentina e com o Chile para explicar de onde veio o ímpeto “revolucionário” dos militares. Não bastasse isso, o historiador ainda nos explica o motivo de ser o Exército, e não a Marinha, a parte republicana dos militares. A questão passa um pouco pela hierarquização social. O reduto marinheiro vinha das famílias ricas, ligadas à política e, por isso, na concepção de Sérgio Buarque de Holanda, já favorecidas. Os que entravam para o Exército vinham de uma camada social mais pobre e, por isso, não tinham ligações com a política, logo eram desfavorecidos. Foi, grosso modo, para buscarem seu lugar, de classe militar, que derrubaram a Monarquia. Este breve comentário acerca do fabuloso livro de Sérgio Buarque de Holanda não teve como objetivo resumir todo o conteúdo da obra, mas destacar apenas alguns pontos marcantes da leitura feita. Além disso, para tratar da obra de maneira completa seria necessário fazer um debate historiográfico, pois muitas questões levantadas em Do Império à República são muito questionadas e debatidas hoje – o que torna o livro ainda mais rico. Espero ter agradado ao meu leitor.

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    Sérgio Buarque de Holanda

    Sérgio Buarque de Holanda foi um dos mais importantes historiadores brasileiros. Foi também crítico literário e jornalista. Sérgio Buarque de Holanda estudou em diversas escolas de São Paulo uma delas foi a Escola Estadual Caetano de Campos. Mudou-se, em 1921, para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde obteve o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1925. Ao longo da década de 1920, atuou como representante do movimento modernista paulista no Rio de Janeiro. Trabalhou então em diferentes órgãos de imprensa e, entre 1929 e 1930, foi correspondente dos Diários Associados em Berlim, onde também frequentou atividades acadêmicas, como as conferências do historiador Friedrich Meinecke. De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Miúcha e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio Raízes do Brasil, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido. Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos. Reuniu, no volume intitulado Cobra de Vidro, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou em 1945 e 1957, respectivamente, Monções e Caminhos e Fronteiras, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos 17 e 18. Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, - que ocuparia até 1956 - sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen. Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de História da Civilização Brasileira, agora na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever Visão do Paraíso, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o Prêmio Edgar Cavalheiro, do Instituto Nacional do Livro, por Caminhos e Fronteiras. A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da História Geral da Civilização Brasileira, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Unesco em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente. No contexto da História Geral da Civilização Brasileira, publicou, em 1972, Do Império à República, texto que a princípio fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século 19, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador. Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda neste último decênio publicado diversos textos. De 1975 é o volume Vale do Paraíba - Velhas Fazendas e de 1979, a coletânea Tentativas de Mitologia. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de Do Império à República - que não chegou a concluir. Participou, em 1980, da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.[2] Neste mesmo ano, recebeu tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.

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    São Paulo, Brasil

    Sérgio Buarque de Holanda