A lapso (Alpharrabio Edições, 1999) é o novo livro de poemas de Tarso M. de Melo, jovem poeta e ensaísta residente em Santo André, SP, e editor da revista de poesia Monturo. São ao todo 26 poemas, numa escrita delicada, concisa, concentrada, por vezes francamente elíptica. Como revela o autor em nota ao final do volume, trata-se de textos escritos nos dois últimos anos, alguns deles publicados em prestigiadas revistas de poesia e literatura do país. O título do livro, de imediato, provoca o leitor. A lapso é uma combinação inusitada a exigir decifração. Num lance apressado de olhos, tomando-a como concordância nominal jocosamente equivocada (ao invés de "o lapso", "a lapso"), poderíamos ler alguns dos sentidos possíveis da própria palavra: "erro", "deslize", "falta", "falha". Mas talvez, como num lapsus linguae, a expressão tenha sido desentranhada de outra bastante corrente: "a lápis". Aliás, a ilustração da capa, de Wladimir Fontes, intitula-se justamente "Vestida a lápis crayon" e representa um tronco feminino coberto por um tecido muito tênue, que mais revela do que vela a nudez do corpo. Tecido e corpo são o próprio traçado a lápis. O lápis é continuidade da mão, e a caligrafia, expressão de uma individualidade. Escrever a lápis é fazer um esboço, algo que pode a qualquer momento ser apagado, refeito, reinventado.
A Lapso -
Tarso de Melo
Alpharrabio
1999
64 páginas
2h 8m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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