Vicious (Villains #1) -

    V.E. Schwab

    Titan Books
    2014
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9781783290215

    Victor and Eli, due to a research project gone wrong, become ExtraOrdinaries with supernatural powers. Ten years later Victor escapes from prison, determined to get his revenge on the man who put him there, while Eli has spent the years hunting down and killing other EOs. Driven by the memory of betrayal and loss, the arch-nemeses have set a course for revenge...

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    Victor Almeida21/03/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    HUMANOS SÃO MONSTRUOSOS

    Vicious é obscuro. Esse é o principal sentimento que pude nomear ao terminar o livro. A autora V. E. Schwab traz o estilo de batalha de herói contra vilão dos quadrinhos e retorce a ideia em diferentes direções, fazendo-o acreditar que não há diferença entre os dois lados. A complexidade do bem contra o mal, e os níveis de cinza entre o branco e o preto, foram excepcionalmente explorados em personagens cativantes com habilidades curiosas e momentos sagazes. Eu consigo entender como esse livro pode ser direcionado para uma audiência mais madura. A história é capaz de saltar das páginas e te sugar para ela com perfeição. A autora tem uma habilidade estonteante de te deixar intrigado e manter o ritmo da história durante o livro todo, sem se perder ou nos fazer imaginar se aquelas páginas seriam realmente necessárias ali. Mas, se você não é capaz de aguentar cenários pertubadores e personagens impiedosos e desumanos, esse não é o livro para você. Vamos ao que interessa. Vicious é contado ao mesmo tempo do passado e do presente, alternando os capítulos. A história de Victor e Eli, assim, lentamente se desdobra. Alguns capítulos contam sobre os acontecimentos de dez anos atrás, quando Victor e Eli ainda estavam na faculdade e eram amigos. Outros falam sobre o presente, quando ambos já são inimigos mortais e Victor acabou de sair da prisão. O que é mais intrigante durante essa sequência é apreciar o desenvolvimento dos personagens no passado que justifica suas ações no presente. E vou te dizer: me encontrei concordando com ações cruéis mais de uma vez. A alternância dos capítulos preenche os buracos na história de forma fantástica e faz com que fiquemos curiosos para saber o que aconteceu de tão terrível que os tornou inimigos tão ferozes. É fato que a história se torna cativante porque é quase inteiramente direcionada para os personagens. Victor é determinado a por um fim em Eli, e fazê-lo entender que poderes não o tornam instantaneamente mal. Victor é diferente de Eli, porque acredito que ele não veja as habilidades necessariamente como contrastantes entre bem e mal. Ele é mais prático, e talvez mais suscetível a aceitar o que acontece com ambas as pessoas. As habilidades, para ele, podem ser úteis. Isso é um dos fatores que atrai sua ajudante, Sydney, até ele. Quando fui apresentado pela primeira vez ao personagem, no período da história de 10 anos após os terríveis acontecimentos, ele me pareceu sinistro. Quase animalesco. Mas enquanto a história se move, você consegue entender o seu lado compassivo, apesar de tudo o que sofreu. O foco do personagem o torna muito fácil de se relacionar e realmente entrar em sua pele. Eli, por outro lado, é determinado de uma forma diferente. Sua busca é por outros ExtraOrdinários (EOs) para que possa mata-los. Para ele, pessoas com superpoderes são monstros, obras malignas e apenas carcaças que abrigam essas características, excluindo a si mesmo por possuir um poder reflexivo. O que aconteceu com o personagem, realmente, foi terrível, mas ele se vê como o salvador da humanidade e um herói, sendo atribuído a ele a missão de libertar a sociedade desse mal. Eli é confiante. Ele sente que merece tudo na vida sem ter que lutar por isso. Eli e Victor, entretanto, compartilham a inteligência e o interesse comum pela ciência, o que os torna opostos de um mesmo espectro. Existem muitos outros personagens no livro, mas até os mais secundários são interessantes, únicos e tridimensionais. Não há ninguém meigo e “café com leite” aqui. O que faz de uma pessoa um herói ou um vilão? O que os define? São suas ações ou as ações que afetam as pessoas ao seu redor, a sociedade, ou algo menos tangível? Ou são suas intenções? É acreditar que o que estão fazendo irá salvar ou destruir o mundo? Tanto Eli quanto Victor se equilibram em uma linha ao longo do livro, presos entre intenção e ação, entre o que eles esperam que suas ações façam e o que eles realmente fazem, mesmo que não tenha sentido para o outro lado. Por mais obscuro que Vicious seja, e por mais estranho e perturbador, é também um livro extremamente divertido que agarra a sua atenção. Ele pede para ser lido de uma vez só, mas alguns eventos fazem você voltar atrás e respirar um pouco. É cruel, mas é incrível. Em alguns momentos me encontrei gritando para coisas não acontecerem, e por mais embaraçoso que isso seja, me deixou feliz por ter forjado uma conexão tão forte com os personagens, desejando por mais.

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