“Godmother” é um livro lindamente escrito e profundamente doloroso ao mesmo tempo que otimista. Variando tempo Cinderela e tempo Veronica, a autora mostra o esforço para recuperar algo perdido tentando refazer os passos do passado da maneira correta (os dois bailes). Amei a personagem Lil. Acreditei nela, sofri com ela e, no final, a compreendi. Turgeon foi muito corajosa ao abordar temas tão densos de maneira mágica e doce.
Os contos de fadas são formas líricas para tratar dos medos mais negros do ser humano. Assim, Lil criou sua versão sinistra de Cinderela para se proteger e tentar dar sentido ao que passou. A inocência e imaturidade, o nascimento do desejo sexual, a violência e o luto, estão presentes na realidade e fantasia da personagem. Lil não foi banida, ela se marginalizou por não conseguir mais ser capaz de viver entre os seus.
O livro é emocionante e eu recomendo por mostrar que a capacidade humano de inventar mundos para se esconder também é uma forma de feitiço, encantamento. Não é somente a personagem principal que usa esse recurso, em uma escala menor, Veronica, George e Leo também fazem isso.
“Carolyn Turgeon expands the familiar Cinderella story into something deeper, richer, and darker than we’ve ever been allowed. A stunning reminder that enchantment –both its pleasures and dangers – is as human as we are”.