O texto de Augusto Abelaira, Anfitrião, outra vez, escrito para teledramaturgia segue uma longa tradição teatral, que tem sua origem na comédia paliata, criada pelos romanos, no século III a.C. Esse gênero de comédia, que usava como vestimenta o pálio grego, mantinha estreitas ligações em sua origem com a comédia nova helênica, do século IV a.C. A comédia paliata buscava seus temas e histórias nos mitos gregos da Antigüidade. Assim aconteceu com o Amphitruo que, antes de ser um texto de Plauto, pertenceu à cultura helênica. É o primeiro de uma série de “Anfitriões”, cerca de 50, que serão escritos ao longo dos séculos. Também no teatro português a peça de Plauto teve seus seguidores, que trabalharam, à sua maneira, a seqüência dramática do texto romano. Camões escreveu o Auto dos Enfatriões para os salões do século XVI; Antônio José da Silva escreveu Anfitrião ou Júpiter e Alcmena, para o teatro de bonecos do século XVII, os bonifrates. Augusto Abelaira escreveu no século XX Anfitrião, outra vez para o teleteatro. Todos criam uma narrativa teatral para contar o mesmo mito, o nascimento de Hércules. Nos interessa examinar nesse trabalho as relações entre o Anfitrião da Antigüidade e o da Atualidade, buscando identidades e diferenças, pretendendo entender a recriação dessa comédia nos parâmetros do teatro do século XX.
