"Os 14 contos que estão reunidos nesta coletânea foram criados em distintos períodos de minha vida. Em nenhum momento, enquanto criava as histórias, pensei em reuni-las neste livro: este surgiu, naturalmente, depois que alguns textos já estavam prontos. Os mais antigos, como Último Bilhetinho, O Sapo-rei, Galo Mentiroso e o Casamento de Josué já têm mais de duas décadas. Com o tempo, vez por outra refiz alguns contos, cortei, remendei, excluí – e fui aos poucos diminuindo o tamanho das narrativas, mantendo só o essencial. Gosto de trabalhar assim quando escrevo, buscando minimizar ao máximo o que tenho a dizer, seja na prosa de ficção, seja na poesia. Os eminentes receptores merecem: não é justo amontoar páginas e páginas e rezar para que o escabreado e cada vez mais escasso leitor, principalmente nosso estudante, tão distante das letras, vá se interessar em sair de suas viagens diárias pelas multimídias e passar horas mergulhado nas velhas páginas de papel, onde narro minhas fantasias mesclando, no mesmo cenário, pessoas de carne, osso e espírito com as personagens do imaginário.
Sobre o conto A Usina, que já foi bastante lido e comentado durante o período em que constou das leituras obrigatórias do vestibular da Universidade Federal do Amapá e de outras faculdades, vai aqui republicado e informo que passou pelo mesmo processo de melhoramento descrito acima.
Confesso, no entanto: sou daqueles persistentes autores brasileiros que ainda acreditam, como o velho Bruxo de Cosme Velho, que têm pelo menos uns cinco ou seis leitores! E, por experiência própria, sei que um bom leitor arranja outro, e mais outro e assim a fila anda. E como sempre busco a cumplicidade com meus leitores, mesmo aqueles relapsos estudantes (eu fui um deles por longo período e mudei), ofereço-lhes mais este pequenino livro de contos - que traz até algumas ilustrações que o meu amigo, o talentoso artista plástico e escritor Maciste Costa me presenteou há muito tempo. A partir de agora, prefaciado pelo escritor Mauro Guilherme, impresso, isbnenizado e tudo, não mais a mim pertence este filho que segue seu destino literário por conta e risco de quem dele tomar e tiver conhecimento. Vita brevis, ars longa"
Paulo Tarso Barros