O Egoísta (Clássicos de Bolso) -

    George Meredith

    Ediouro
    2002
    624 páginas
    20h 48m
    ISBN-10: 8500127341
    Português Brasileiro

    A humanidade talvez possa ser melhor compreendida através do estudo do mais comum e natural dos vícios humanos: o egoísmo. É o que nos parece dizer o romancista e poeta George Meredith, ao longo das páginas deste clássico da literatura inglesa. Ninguém deve entender O Egoísta como apenas a história das venturas e desventuras de Sir Willoughby Patterne. O que Meredith busca nesta narrativa, com uma acuidade que lhe assegura um lugar entre os grandes mestres do romance psicológico, é lançar um irônico e definitivo olhar sobre o que seria a essência da alma humana.

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    Carla Silva05/03/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    No Espírito das Comédias de Shakespeare

    George Meredith tem algo das comédias shakespereanas, e, assim, apesar dos sustos, indignações, receios, suspenses, incompreensões, injustiças, e muito mais - todos devem terminar felizes, ou quase. Demorei a entrar no ritmo dessa releitura, ou talvez, a me habituar com as frases tortuosas e o estilo metafórico do autor (e algumas metáforas permanecem obscuras). Depois que entrei, contudo, foi delícia quase ininterrupta: páginas e páginas devoradas com ansiedade e prazer frequentes; muita penetração psicológica, excelência na caracterização dos personagens, tanto homens quanto mulheres - ainda que as últimas sejam em geral mais simpáticas. As mulheres de Meredith não são simpáticas por serem "boazinhas": são cativantes por serem mulheres; porque seu criador conseguiu fazê-las agir, pensar, falar e sentir como mulheres, feito notável. E por que não cinco estrelas? Bem, Meredith cometeu alguns deslizes... ele cai num erro comum a certa casta de maus escritores: elogia demasiado um determinado personagem mas se esquece de mostrar ao leitor porque tal figura mereceria tantos elogios: não basta dizer que um homem é bom - é necessário que o escritor crie situações em que o leitor veja isto exemplificado, a fim de convencer: falar que alguém é bom sem demonstrar não convence - não esta leitora aqui! Além disso, o autor é tão generoso até com figuras desagradáveis na conclusão, porém esqueceu de incluir na sua gentileza um personagem do qual gostei muito, e que mereceria mais do que o que lhe foi dado no fim. Ainda assim frisarei: isto é uma delícia! Diálogos ágeis, cenas que fluem tão bem como se fossem entradas e saídas de personagens no palco de um teatro, observações irônicas que fazem sorrir ou mesmo rir. George Meredith é um escritor subestimado.

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