Em um prefácio de uma coletânea anterior, talvez no "Sorriso do Flamingo", Gould comenta sobre como um pedido para escrever algumas colunas sobre história natural se tornaram uma atividade ininterrupta e uma parte intrínseca a ele, e relembra das suas primeiras colunas. Brincando, ele desejou que todas as cópias existentes de "Darwin e os Grandes Enigmas da Vida" se autodestruíssem, visto que o escritor que ele era naquele momento via um amadorismo vergonhoso no Gould de outrora. Talvez, o Gould contemporâneo a essa coletânea visse suas obras anteriores da mesma forma. É inegável a evolução na escrita. Seja na estrutura, escolha dos temas, uso de expressões, aplicação de outras línguas. Nada deixa a desejar. Particularmente, gosto de duas construções que ele utilisa. A primeira é a introdução do assunto, geralmente algo aparentemente sem ligação aparente, mas está lá. A segunda é justamente o encontro dos temas, uma observação do cotidiano, uma nota de rodapé, e um acontecimento histórico separado por séculos, um conceito evolutivo, o que for. Gould dominava a justaposição como ninguém. Minha leitura dessa grande saga pela história natural foi sem ordem cronológica. Resta apenas o sétimo volume para finalizar. Mas, quem sabe, algum dia eu não reúno todos os volumes e leio novamente, em ordem cronológica.
the lying stones of marrakech - penultimate reflections in natural history
stephen jay gould
harvard university press
2011
371 páginas
12h 22m
ISBN-13: 9780674061675
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