A Revolução Sexual -

    Wilhelm Reich

    Círculo do Livro
    1983
    332 páginas
    11h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

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    Victoria Paiva17/08/2022Resenhou um livro
    0.5 (Muito ruim)

    Revolução Sexual = deixar de ser um ser humano e se tornar um animal refém dos seus instintos e hormônios

    Preciso iniciar dizendo que esse livro foi a coisa mais maluca que eu já li em toda a minha vida e eu só cheguei até ele porque foi citado em Feminismo: Perversão e Subversão. Mas, vamos lá. Reich é um psicólogo assumidamente marxista. Ele acredita que a nossa estrutura familiar ocidental é uma estrutura patriarcal. Baseada principalmente numa repressão da economia feminina, repressão da sexualidade natural para adultos e crianças e no casamento monogâmico compulsório moralista-conservador-retrógrado-religioso(cristão)-capitalista Para Reich, o Estado capitalista opressor autoritário (ele fala isso O LIVRO INTEIRO) usa das seguintes ferramentas para suprimir seus cidadãos da sexualidade natural: A ideologia do casamento monogâmico vitalício obrigatório; A supressão da sexualidade INFANTIL, que ele considera a causa primária dos desejos sexuais anormais e perversões ao longo da vida adulta (sim, para ele o estupro, o atentado ao pudor, o assédio, a pedofilia e todos os crimes sexuais são causados porque as crianças não tem o DIREITO de exercer sua sexualidade natural); Falta de educação sexual honesta e liberdade sexual e econômica para os adolescentes; aqui entra a proibição - que ele critica ferrenhamente - do onanismo (masturbação infantil); Perseguição daquilo considerado anormal, como a homossexualidade; Ilegalidade do aborto; O casamento como instituição legalizada e a falta de facilitação para o divórcio. Resumindo, o autor defende que o casamento deve ser reformulado e trocada a monogamia pelo poliamor (uma relação onde não haja fidelidade, pois a fidelidade é responsável pela repressão da sexualidade e os desejos genitais e isso além de causar neuroses - doenças psicológicas e de humor - acaba com o casamento). Também defende que crianças tenham a sua sexualidade estimulada (mas não cita a idade ideal para isso) sem que haja repressão do onanismo pois é natural; defende que o ESTADO (o comunista) deve criar meios para que os adolescentes exerçam sua sexualidade natural: independência econômica dos pais, educação sexual nas escolas, aborto legalizado (anticoncepcionais também) e criação de “locais” para que o adolescente tenha onde manter suas relações sexuais livremente. Ou seja, satisfação geral de toda e qualquer necessidade sexual (pois é natural). Na página 112 o autor vai dizer que o incesto é algo natural: “em virtude da impossibilidade real de satisfação do desejo incestuoso, há a repressão e medo. É dessa repressão que se origina primariamente a maioria dos distúrbios amorosos que aparecem mais tarde. Em primeiro lugar, não haveria nenhuma repressão se o MENINO tivesse que renunciar ao desejo genital pela mãe, mas lhe fosse permitido o jogo genital com MENINAS da SUA IDADE, bem como o onanismo. [...] A CRIANÇA que não ousa praticar tais jogos, quando disso tem oportunidade, é candidata certa a graves prejuízos em sua vida sexual posterior.” Na página seguinte ele evidencia uma das grandes estratégias comunistas utilizadas para se criar revolucionários que também serve aos objetivos da RS: a escola: “Uma criança que a partir do terceiro ano de vida tivesse sido educada juntamente com outras crianças, sem influência do pai e da mãe, desenvolveria sua sexualidade de maneira completamente diferente, em formas que aqui não poderiam ser discutidas.” Porque não poderiam? Fica a questão. Levando em consideração o que o autor conta sobre sua infância em sua biografia (aos 4 anos entendia o suficiente sobre sexualidade e tentou intimidades com uma criada da família; aos 11 anos teve sua primeira relação sexual com a cozinheira da família - estupro de vulnerável, né? - presenciou a traição da mãe com o preceptor Econtou ao pai. O pai movido pelo ressentimento humilhava e atormentava a mãe e ela sem aguentar se matou), já dá para se ter uma ideia do motivo dele ter escrito tantas asneiras assim. O mais incômodo nisso tudo é que, no decorrer do livro não há referências bibliográficas do que ele afirma. Tudo o que ele define como fato irrevogável é baseado unicamente na experiência clínica dele (que foi descrita pouquíssimas vezes). Ou seja, não tem nenhum rigor científico e ainda assim influenciou muitos outros psicólogos (como John Money e Alfred Kinsey), além de várias teorias feministas e hoje o que mais vemos são professores, psicólogos, médicos e etc defendendo a educação sexual para crianças na escola, a legalização do aborto, a liberdade sexual e a substituição do casamento. A Revolução Sexual teve êxito e nunca antes a sociedade esteve tão doente como agora. Reich queria “impedir casos recorrentes de neuroses” e hoje os números de suicídio, ansiedade, depressão, transtornos de personalidade, casos de violência geral contra mulheres e crianças são altíssimos e nunca antes as pessoas gozaram de tamanha liberdade quanto agora. Não resolveu, só piorou. Enfim, leiam e tirem suas próprias conclusões.

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