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    O Self Essencial - Cinco Contos e uma Novela de Will Self

    Will Self , Will Self

    Alfaguara
    2014
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788579622755
    Português Brasileiro
    4
    11 avaliações
    Leram15Lendo3Querem33Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos0Desejados33Avaliaram11

    Desde o seu primeiro livro de contos, Will Self é considerado um mestre na arte da narrativa curta. Agora, pela primeira vez, uma seleção de suas histórias é publicada no Brasil. O Self essencial procura mostrar a faceta marcante — cômica, muitas vezes desconcertante — de um dos escritores ingleses mais vibrantes de sua geração. Em seus textos, o autor apresenta personagens inusitados e sempre fora dos padrões sociais. Ex-traficantes descobrem uma jazida de crack no subsolo de sua casa; um especialista em arte-terapia mergulha na irrealidade de um pavilhão de loucos em que pode ficar eternamente aprisionado; uma paciente terminal inglesa viaja à Suíça atrás de uma morte assistida, mas encontra um estranho milagre de cura. Humor negro, situações grotescas, cenas que invertem a banalidade do dia a dia — tudo narrado com uma inventividade linguística que só Will Self é capaz de conceber.

    Resenhas (1)Ver mais
    Rudimar Baroncello picture
    Rudimar Baroncello07/10/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Difícil dedefinir em uma palavra, mas acho que magistral é uma boa

    Will Self é um autor que despertou minha curiosidade já faz alguns anos, tentei um primeiro contato através da obra intitulada O Livro de Dave, do qual falarei sobre em algum momento... quando eu ler o livro, pois fiquei muito perdido na primeira tentativa e acabei deixando de lado, e resolvi ter um primeiro contato real com o autor lendo seus contos, que, segundo o que diz na sinopse desse livro, é a área de expertise do cara. Aqui, como bem explicado na capa, temos cinco contos e uma novela do autor, vou falar rapidamente sobre cada uma dessas histórias daqui a pouco. A escrita do autor é uma das mais imersivas que já li na minha vida, a forma como ele consegue transportar o leitor para o mundo que ele cria com as palavras é surpreendente, e faz isso parecer fácil, pois em poucas palavras ele torna tudo muito visível e experimentável. Ele não mede muito as palavras e não é lá muito polido, mas conduz uma narrativa como poucos que já li nessa minha vida de leitor. Passeando entre vários assuntos e com lições sutis, às vezes nem tanto, a cada história e personagem apresetado. O primeiro conto se chama A Pedra de Crack Grande que nem o Ritz. Que vai falar de dois irmão que deixam a vida de traficantes... pero no mucho... Um deles até que sim, vai pro exército, vira um cidadão descente e exemplar, mas o outro continua no mundo das drogas, mais como usuário do que como traficante, mas não por muito tempo. Em uma reforma no porão, Danny (o irmão redimido) acaba derrubando uma parede e encontrando uma substância muito estranha atrás dela, ele logo percebe que é uma pedra de crack de cocaína, é uma pedra gigantesca, uma verdadeira jazida natural... o que não faz sentido, eu sei, o autor, muito provavelmente também sabe, mas aqui entra a suspensão da descrença. Por curiosidade, depois de ler isso fui pesquisar de onde vinha o crack, e é basicamente um derivado ou subproduto da cocaína, que é feita a partir do refinamento das folhas de coca, depois que não sobra quase nada das fibras da folha só o muco/extrato essa substância é decomposta (sim, decomposta) com ácido sulfúrico ou gasolina, daí surge a droga... depois de saber disso ficou ainda mais incompreensível, para mim, como tem gente que tem coragem de consumir esse negócio. Enfim, agora que eles têm esse estoque infinito, irreal e ilógico da droga eles podem ganhar rios de dinheiro, e é isso que vão fazer... pelo menos no início. O segundo conto se chama Ala 9, nosso protagonista é um especialista em arte terapia que vai trabalhar na ala psiquiátrica de um grande hospital, a tal ala 9. O pai do nosso protagonista também já havia trabalhado ali e é conhecido do pessoal do hospital, como fica claro no trecho que destaquei no começo da postagem. Ali o protagonista será apresentado a vários e vários pacientes ali internados, cada um mais... peculiar, na falta de termo melhor, do que o outro... as apresentações vão se desenrolando, enquanto vemos o protagonista se ver cada vez menos convicto de sua sanidade, afinal a forma dos "loucos" verem a vida parece fazer cada vez mais sentido, ao menos para ele, até que surge o questionamento: quem é que está doente? Quem vive a sua vida, no seu mundo particular e sem incomodar ninguém, nem ser incomodado pelos problemas que estão fora de suas forças, ou quem passa a vida correndo pra cima e pra baixo querendo abraçar o mundo enquanto esquece de abraçar as pessoas próximas pois não lhes sobra tempo? Brinquedos Duros na Quebra Para Garotos Duros na Queda é o terceiro conto, não foi dos meus favoritos, e pra essa postagem não ficar muito grande vou falar só do que foi o meu conto favorito e os demais apenas nomear. O quarto conto é bastante interessante, se chama Compreendendo os Ur-Bororos, sobre um antropólogo que passou anos entre os nativos dessa tribo fictícia, e em uma visita a um antigo amigo vai contar suas experiências. A Volta dos Cinco Balanços foi meu conto favorito, começa com uma cena angustiante de acidente, com nosso protagonista se levantando depois de ser atropelado e vendo o corpo sem vida do seu filho no meio fio, nosso alívio é descobrir que isso é apenas um sonho do protagonista. Que ao acordar pega sua bebezinha e vai até a casa da ex-esposa buscar a penca de filhos que teve com ela para passarem o dia juntos, evamos acompanhar esse dia, sempre com o fantasma do pesadelo à espreita, lá no fundo dos pensamentos do protagonista. É um conto tenso e, em vários momentos, angustiante. A novela se chama Leberknödel, que é uma palavra alemã para bife de fígado, esse foi um caso que acho que poderia te sido mais curta, não tive essa sensação nas outras histórias, até porque eram mais curtas, mas enfim... aqui vamos acompanhar uma paciente terminal que viaja até Zurique planejando um suicídio assistido, mas ela vai encontrar é outra coisa nessa viagem... é uma história interessante, tem seus problemas mas também nos faz refletir, ficaria ali no meio termo, boa o suficiente, mas não mais que isso. De uma forma geral, o saldo do livro foi muito mais positivo do que negativo, me deixou curioso para ler os romances do autor que têm umas premissas muito intrigantes, pretendo encarar um deles ainda esse ano, o autor entrou fácil na minha lista de interesses/prioridades, tanto por sua imaginação bem incomum quanto pela sua maestria na escrita.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 11
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas9%
    William Woodard "Will" Self  profile picture

    William Woodard "Will" Self

    William Woodard "Will Self" (nascido em 26 de setembro de 1961) é um escritor Inglês, crítico e colunista. Ele é conhecido por sua sátira grotesca, romances fantásticos e contos.

    11 Livros
    28 Seguidores

    William Woodard "Will" Self