Posso dizer que este livro foi uma grata surpresa, primeiro por se tratar de uma autora brasileira que está lançando seu primeiro livro, depois, por que a leitura não deixa em nada (ou quase nada) a desejar se fizermos uma comparação, por exemplo, com SUSHI, um dos grandes sucessos de Marian Keyes.
Escrito no melhor estilo chick list, Lucila 33 é leve, descontraído e envolvente, diferente das personagens desse tipo literário, Lucila não é deprimente como Ashling (de Sushi) ou Claire (de Melancia). O que eu mais gosto no livro é que ele é contemporâneo, a estória se desenvolve em um cenário bem conhecido por nós brasileiros como as cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Miami. Super atual a autora conseguiu a "sacada" certa para criar uma boa estória: mulheres acima dos 30, modernas, bem sucedidas, apaixonadas, de bem com a vida, tudo isso sem ser repetitiva, o que em minha opinião é o ponto forte do livro, estou cansada daqueles livros com 500 páginas sendo que metade é a autora se tornando repetitiva, né Marian Keyes, enfim, os ingredientes certos, na dosagem correta para uma estória de sucesso. Espero que a autora possa dar continuidade à estória de Lucila, dessa vez nos contado como está sua vida aos 45 ou 50 anos. Será que ela ainda estará com Cadu? Espero que sim. Para quem quer apostar em literatura brasileira moderna e de boa qualidade, eis um bom livro.
Agora algumas considerações ... (a partir daqui pode haver spoiler)
Lucila é de fato um bom livro. Gostei muito. Mas eu não posso deixar de mencionar a única parte do livro que achei totalmente desnecessária e ainda não entendi as razões que levaram a autora a seguir por este caminho.
Trata-se da carta enviada por Bruna a Juca.
O fato de que Bruna, de repente, ficou boazinha já me incomodava, fazer com que ela se convertesse não me agradou. Em minha opinião, determinados assuntos devem ser abordados com cautelas, principalmente se tratando de religião, política e ideologia de gênero. Para mim essa parte da estória soou como deboche, reforçada pelo pensamento de Manu e depois pela fala de Juca a Lucila, dizendo que Bruna estava com Jesus. Se era da vontade da autora fazer com que Bruna encontrasse um caminho de paz, amor e fraternidade, que ela fizesse isso sem especificar uma religião, de forma bem sutil, sem ofender ninguém. Dada as circunstâncias, em que estamos vivendo, onde os cristãos estão sendo perseguidos pelo Estado Islâmico, escrever de forma jocosa não é o ideal.