Fogo Pálido -

    Vladimir Nabokov

    Círculo do Livro
    1990
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Fogo pálido (1962) é considerado o livro mais engenhoso e complexo de Vladimir Nabokov. Publicado depois de Lolita (1955), quando o autor já era conhecido mundialmente, o romance - originalmente escrito em inglês - tem estrutura de trama policial. Seu tema, porém, contrapõe-se ao tom detetivesco da narrativa: trata-se da análise de Fogo pálido, um poema de 999 linhas, dividido em quatro cantos, escrito pelo personagem John Francis Shade pouco antes de morrer. O poema, magistralmente traduzido em rima e métrica, é a primeira parte do romance. A segunda, transforma poesia em ficção: são os comentários sobre o poema formulados por um amigo de Shade, Charles Kinbote, o delirante narrador do romance. Kinbote incentivara Shade a escrever Fogo pálido, que fala da vida do seu autor e da lendária terra de Zembla. Charles analisa trechos da obra e, de forma mirabolante, relaciona o texto a ele próprio - Charles, rei de Zembla. Humor irreverente e espírito crítico (inspirado na experiência do próprio Nabokov como professor nos Estados Unidos) combinam-se nessa paródia da literatura de suspense, uma parábola magistral sobre a tarefa da imaginação na crítica literária.

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    Carla Silva10/03/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Arte e Inteligência

    Um dos livros mais originais que li. Inteligentíssimo, a obra revela um Nabokov muito acima do escândalo de "Lolita": um escritor fino, perspicaz e sutil, que transmite impressões com tal arte que nos deixa assombrados. A originalidade - o romance é todinho um comentário ao longo poema "Fogo pálido", ou melhor, um pretenso comentário, pois revela muito mais das idiossincrasias do comentador do que do poeta - não é simples recurso estilístico, não é pretensão de 'literatice' como alguns que a utilizam. O texto nabokoviano é engenhoso, exigindo do leitor talentos detetivescos: onde está a verdade? E como Nabokov consegue ridicularizar com tanta seriedade aparente? Para ler, reler, ler de novo, procurando o truque; ou para ler, ler outra vez para nos fascinar com literatura com "L" maiúsculo.

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