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    Viagem ao Harz - da obra <i>Reisebilder</i> (Quadros de viagem)

    Heinrich Heine

    34
    2014
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788573265477
    Português Brasileiro
    4.1
    80 avaliações
    Leram116Lendo7Querem220Relendo0Abandonos2Resenhas9
    Favoritos6Desejados220Avaliaram80

    Heinrich Heine (1797-1856) é um dos maiores poetas alemães, ao lado de Goethe e Schiller. Foi também jornalista, ensaísta e crítico literário, e sua poesia inspirou diversos músicos, especialmente Schumann, cuja obra Dichterliebe [Amor de poeta], baseada em seu Buch der Lieder [Livro das canções], é um dos pontos altos da canção lírica alemã. Publicada em 1826, a Viagem ao Harz iria compor mais tarde o primeiro dos quatro volumes dos Reisebilder [Quadros de viagem] organizados pelo autor. Após um ano de estudos na Universidade de Göttingen, o poeta é suspenso por envolver-se em um duelo - e nesse ponto tem início sua jornada pelo Harz, a maior cadeia montanhosa do norte da Alemanha, cujo pico mais elevado é o legendário Brocken, onde as bruxas celebram a Noite de Valpúrgis cantada por Goethe no Fausto. A viagem, porém, é antes um fio condutor do que o tema principal do livro, que inclui poemas, reflexões sobre a vida, arte e política, descrições de paisagens, lugares e pessoas que encontra pelo caminho, relatos de sonhos e flertes passageiros - tudo isso visto por uma natureza poética peculiar, extremamente sensível a todo tipo de beleza e impiedosa com qualquer manifestação da estupidez humana. Acompanham a inspirada tradução de Mauricio Mendonça Cardozo um estudo de Sandra M. Stroparo e o célebre ensaio de Théophile Gautier sobre o poeta alemão, de 1856. Como diz o próprio Heine em seu prefácio, "Este livro é um teatro de exibição. Entrem, entrem, não tenham medo!".

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    refugiosdasletras20/04/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Algumas pessoas precisam de motivos - desculpas - para escrever. Não sei se isso é uma consequência direta da vergonha. Talvez lhes pareça arrogante ou soberbo sair distribuindo ao mundo seus pensamentos e considerações, ou hesitam em se expor para não parecerem carentes. Em todo caso, definitivamente não é o que eu esperava de um dos maiores nomes da literatura alemã. Viagem ao Harz é exatamente o que diz seu título: o primeiro de seus diários de viagem que se tornariam uma coleção (não pretendo ler os outros). Um leitor astuto percebe logo de início que tal diário é apenas um pretexto para dar vazão a algo anteriormente definido, levantando assim a dúvida se também a viagem por si só não teve o mesmo objetivo. Viajar para se afastar dos problemas cotidianos e espairar a mente é praticamente um clichê humano. Pois bem, o livro é estupidamente alemão. Algumas partes fizeram tanto sentido para mim quanto um berimbau deve significar para um esquimó. E apesar disso, talvez por termos um entendimento de alguns aspectos da cultura alemã como os contos de fadas, a essência do que é dito é facilmente compreensível. Os locais em que a "ação" ocorre são quase universais, como bares, igrejas, estalagens, estradas, florestas, e até mesmo os lugares mais distintos são reduzidos a fatores tão básicos de descrição que se tornam até familiares, como as minas de carvão e topos de montanhas. A magia acontece mesmo é nas relações interpessoais. Estudantes parecem que estão em todos os cantos e sempre fazendo algo impróprio ou instigante. Trabalhadores estão sempre sublinhando aspectos curiosos de seu ofício. As mulheres... bem, estão sempre lá para serem admiradas. E cada personagem, que em certo ponto tem sua veracidade questionada pelo leitor mais cético, sempre levanta a bola para o autor, muito necessitado de tal oportunidade, discorrer sobre os temas mais variados. Um protótipo de Ulisses.

    7 curtidas

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    Christian Johann Heinrich Heine profile picture

    Christian Johann Heinrich Heine

    Christian Johann Heinrich Heine foi um importante poeta romântico alemão de origem judaica, sendo conhecido como “o último dos românticos.” Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Brahms, Richard Wagner e, já no século XX, por José Maria Rocha Fereira, Hans Werner Henze e Lord Berners. Heine era também um talentoso jornalista político e com grande inteligência soube aliar arte e política em obras engajadas. O escritor é conhecido pelo seu sarcasmo e ironia, presente em seus poemas e textos, através dos quais Heine crítica a sociedade alemã. Influenciado pelos ideais da revolução Francesa, o escritor protestava contra o conservadorismo, principalmente na arte e na política, que ele considerava ultrapassado e hipócrita. Em oposição aos valores vigentes, seu objetivo político era trazer esclarecimento à sociedade e lutar contra a exploração humana, intensificada com o desenvolvimento industrial. Sua poesia lírica foi admirada por diversos artistas e filósofos, como Robert Schumann, Friedrich Nietzsche e, no Brasil, Machado de Assis e Castro Alves. Nietzsche o considerava como o primeiro artista da língua alemã.

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    Christian Johann Heinrich Heine