Eugénie Grandet é um mais um dos grandes retratos da alma humana que Honoré de Balzac se tornou famoso por fazer. Nessa obra, a jovem Eugénie é uma jovem criada de forma humilde, acostumada a não se importar com a luxo e os títulos que a França pós-revolução tentava desfrutar. Os pretendentes a sua volta estão apenas interessados em sua riqueza, não havendo basicamente alusões a sensualidade e as paixões no início da história. A mudança só ocorre com a chegada de seu primo Charles que mais tarde também se revelará outro escravo do dinheiro. O termo é exatamente aplicado. Não há suavidade ou alívio para os comportamentos descritos pelo autor, especialmente em relação a Félix, pai de Eugénie, um avarento que regula o uso de velas, se recusa a reformar a casa e tantas outras pequenas mesquinharias que tornam seu caráter o mais emblemático por suas próprias peculiaridades. Para o leitor brazuca, é sedutor imaginá-lo como um Seu Nono francês. Assim, embora a trama tenha todas as características de uma tragédia, vários de seus momentos puxam para o cômico, arrancam risos. Talvez propositalmente já que a crítica e o ridículo andam juntos. Recomendo.
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