A Educação Estética do Homem, livro epistolar de Friedrich Schiller, foi escrito em 1793, em correspondência com o seu mecenas, o príncipe de Augustenburg, da Dinamarca - e publicado pela primeira vez na revista Die Horen (As Horas), editado pelo próprio autor, em três partes: n.1, cartas I - IX (em jan. 1795); n.2, cartas X - XVI (em fev. 1795); n.6, cartas XVII - XXVII (em jun. 1795).
Nele aborda, principalmente, considerando a Revolução Francesa problemática, devido a sua violência, as condições de reforma que seriam necessárias ao homem - em uma abordagem dita antropológica - se quisesse se sentir em casa em um Estado ético, conduzido à liberdade pelo prazer desinteressado despertado pelo belo e não pelos extremos da satisfação sensual ou das leis morais apresentadas em oposição simples à parte física do homem, que não teriam tido a oportunidade de serem internalizadas. A beleza (não só considerada em relação aos objetos externos, mas também em relação aos comportamentos humanos, a nobreza de caráter, a cortesia no trato), portanto, ofereceria o tipo de universalização suavizadora dos extremos que reuniria ímpeto físico e formal, realizando a verdadeira liberdade no homem que se apresenta e age como um todo harmônico e não internamente clivado ou em constante conflito consigo mesmo.
Toda reflexão de Schiller leva, assim, à concepção de um estado intermediário entre o estado físico e o estado moral: o estado estético. Este, quanto mais desenvolvido, quanto mais cultivado o homem para o reino da aparência e das formas, mais conseguirá conectar aqueles dois, reconciliando o homem para a liberdade efetiva. O ponto central é a reflexão sobre o papel da Bildung, da cultura, no desenvolvimento de um humanismo localizado entre um individualismo sensível e um coletivismo da razão. Por estado deve-se conceber estágios/momentos/épocas de desenvolvimento do homem (tanto espécie como indivíduo), ideais, podendo ser considerados também faculdades que atuam em conjunto no homem.
As últimas cartas, XXIII - XXVII, são as mais esquemáticas e podem fornecer um bom resumo para quem deseja ir direto ao ponto. Afinal, o texto de Schiller, ainda que muito mais intuitivo e com uma linguagem mais acessível que os de Fichte, Schelling, Hegel, trata de questões profundamente ligadas ao movimento do idealismo alemão e da superação da letra de Kant, o que já anuncia certa complexidade e densidade para o leitor.