Pense no rato mais bizarro que você já tenha visto... Agora imagine muitos, mas muitos deles, pretos, sujos, diabólicos, gigantes e famintos por carne. Assustador? Basicamente, isso é tudo que o enredo oferece.
A cada capítulo o autor nos apresenta um personagem caricato e logo em seguida solta seus bichinhos adoráveis para se refestelarem com todos. A violência é bastante convincente e hilariante; Caso você sofra de Musofobia (fobia ou medo de ratos e camundongos) passe muito longe dessa obra.
Enfim, um verdadeiro clássico do horror/splatter do seu tempo. É alegremente sexista, inconscientemente racista, com uma escrita simples, direta e as vezes desajeitada. Se você leitor não se importar com isso certamente apreciará esse pequeno livro.
"Por baixo dele passava-se parte de um pesadelo. Uma cena do inferno. Viu membros ensanguentados, faces dilaceradas, corpos esfrangalhados. Estava um homem, quase em frente dele, em pé pé contra a parede, rígido e direito, os olhos sem vida parecendo fitar os seus, enquanto três ou quatro ratos se refestelavam nas pernas nuas. Uma mulher gorda, completamente nua, gritava lancinante, enquanto batia em dois ratos agarrados aos seus amplos seios. Um moço de uns dezoito anos estava tentando subir para o alto do trem, com a ajuda dos pés na parede, quando um enorme rato correu pela parede acima e saltou-lhe no colo, fazendo-o cair de costas no chão. Gritos enchiam o ar. Gritos de socorro pulsavam-lhe o cérebro. Tudo numa penumbra contra a escuridão do túnel, como se tudo aquilo se estivesse a passar no inferno. E por todos lados bichos pretos correndo pelas paredes acima, atirando-se pelo ar, só parando quando as vítimas cessavam de lutar, e depois comendo e bebendo".
Página 65
Editora Portugália
Ano 1976
Páginas 141