Ela debruçou-se sobre mim e pediu que eu lhe desse um motivo para não mais chorar. Que podia eu fazer? Tantos anos obstinado a não zelar pelos outros tornaram-me um inapto no momento em que mais desejei ser bom para outro ser humano. Mas não estaria ela, assim como eu, acima da mera condição humana? Era uma deusa que se deitava sobre mim e suplicava por palavras que lhe cessassem as lágrimas. E pela primeira vez questionei minha própria divindade. Merecia a confiança que ela depositava em mim? Merecia sequer estar em sua companhia, isto, por si, uma dádiva maior? Meus pensamentos fizeram-se voz e ela respondeu com um sorriso, chamando-me tolo e amado. -Se me tens aqui e eu a ti, todo o resto é desprovido de fins. E assim foram findas nossas dúvidas e lágrimas.