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    Ciência em ação - Como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora

    Bruno Latour

    Unesp
    2000
    438 páginas
    14h 36m
    ISBN-11: 857139265x_
    Português Brasileiro
    4.3
    49 avaliações
    Leram92Lendo18Querem116Relendo1Abandonos2Resenhas2
    Favoritos8Desejados116Avaliaram49

    As pesquisas antropológicas de Bruno Latour — um dos primeiros autores a se dedicar ao estudo da comunidade científica do mesmo modo como os antropólogos estudam grupos isolados de seres humanos — ganham nesta obra dimensão de teoria geral sobre o funcionamento da ciência moderna. Fazer antropologia da comunidade científica — por definição o grupo mais evoluído, racional e complexo do planeta (seja isto verdadeiro ou não) — parece algo impróprio. Mas tal questão se enfraquece quando se leva em conta a imagem da comunidade científica que emerge dos estudos de Latour, que preserva poucos traços da imagem que ela própria tem de si e divulga para o público. O autor demonstra como os cientistas se transformam durante a necessária interação, relacionada à natureza mesma da ciência, com os demais membros da comunidade científica e com seus equipamentos e o "mundo objetivo". Ele observou esse processo ao estudar os "nativos", em especial durante sua residência como antropólogo em um laboratório de bioquímica na Califórnia nos anos 1970. Com enfoque original, que ajuda a esclarecer o trânsito conturbado das vias que ligam ciência e sociedade, esta é uma obra fundamental para todos os que se interessam pela questão dos fundamentos da ciência e pelo debate contemporâneo em torno desse tema.

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    Marcos Groch picture
    Marcos Groch22/05/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Abrir a caixa-preta sem abandonar a crítica

    Latour escreve quase como um provocador profissional. A proposta de "abrir a caixa-preta" da ciência continua extremamente instigante porque desmonta a ideia ingênua de conhecimento científico como verdade pronta, neutra e inevitável. O livro é brilhante ao mostrar ciência como prática, cheia de controvérsias, disputas, alianças, instrumentos e negociações. Depois dele, fica difícil olhar para laboratórios e artigos científicos sem enxergar redes sociotécnicas em funcionamento. A escrita também tem uma energia rara para teoria social. Latour transforma epistemologia em narrativa quase detectivesca, acompanhando fatos enquanto ainda estão sendo construídos. A metáfora do Jano bifronte e a distinção entre "ciência pronta" e "ciência em construção" seguem sendo algumas das contribuições mais interessantes do estudos CTS. Mas confesso que meu lado feenberguiano impede as 5 estrelas. Em alguns momentos, Latour parece tão empenhado em dissolver separações entre ciência e sociedade que a dimensão estrutural do poder acaba ficando meio diluída. A crítica à neutralidade científica é forte, mas nem sempre vem acompanhada de uma análise mais consistente das assimetrias econômicas e políticas que organizam essas redes. De qualquer forma, é um livro fundamental, especialmente porque obriga qualquer discussão sobre tecnologia e ciência a abandonar explicações simplistas e olhar para os processos de produção do conhecimento.

    2 curtidas

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    4.3 / 49
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Bruno Latour profile picture

    Bruno Latour

    Bruno Latour nasceu na cidade francesa de Beaune, na Borgonha, em 1947. Formado em filosofia e antropologia, foi entre 1982 e 2006 professor do Centre de Sociologie de l’Innovation na École Nationale Supérieure des Mines em Paris, além de professor visitante na University of California San Diego, na London School of Economics e em Harvard. Hoje leciona na Sciences Po de Paris. Em 2013 recebeu o Holberg Prize por sua contribuição às ciências humanas. É autor dos livros Vida de laboratório (com Steve Woolgar, 1979), Ciência em ação (1987), Jamais fomos modernos (1991), Políticas da natureza (1999) e Diante de Gaia (2015), entre outros.

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    24 Seguidores

    Bruno Latour