A primeira causa do mal-estar da modernidade é o individualismo.
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Vale aqui a frase que Leonardo Boff repete em seus escritos cristológicos, ao falar de Jesus: Tão humano assim, só pode ser Deus mesmo. Em Jesus se manifesta o excesso do humano, em cada ser humano se revela algo de Jesus. Jesus realizou todas as possibilidades da humanidade, enquanto nós realizamos algumas das possibilidades realizadas por Cristo. Portanto, essa relação Jesus Cristo e a realidade humana se dá tanto no nível do conhecimento como no da realização ontológica.
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O sujeito que crê estabelece uma relação dialética com as realidades históricas. Eu e minhas circunstâncias, diria Ortega y Gasset. Existimos envolvidos pelos acontecimentos históricos que são, ao mesmo tempo, produzidos por ações humanas e conformadores do próprio ser humano. Fazemos a história e somos feitos por ela.
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A modernidade combatera a religião em nome da razão. Destronara-a de sua função de reguladora da cultura e da sociedade. Reduzira-a ao rincão da privacidade individual ou de esferas especializadas. Para muitos, ela fora confinada às regiões do mito, do mágico, da infância da razão. Os mestres da suspeita consideraram-na definitivamente superada. Resquícios permaneciam por causa dos atrasos culturais, das contradições econômicas, das alienações primitivas. Era questão de tempo.
A pós-modernidade insurge-se contra essa racionalização violenta da modernidade. A razão instrumental triunfante devastou regiões naturais maravilhosas. Gerou verdadeiro ecocídio. Mais: produziu um exército interminável de pobres. Tem criado um coração humano egoísta, individualista, fechado, condenado à solidão, consumista, sôfrego de prazeres que não o fazem feliz.
Ameaça o homem pós-moderno o niilismo de valores, de bem, de verdade. E acompanha-o a melancolia cinzenta. Num movimento de reação e de ressurreição diante de tanta morte simbólica, ecológica e humana, abrem-se espaços para a dimensão estética, lúdica, gratuita, festiva, religiosa da existência. Os pobres constituem-se em instância terrivelmente crítica da razão moderna. Que fez ela por eles?
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