Uma vez que o leitor se acostuma com a forma de escrever de Nabokov (escrevendo em inglês, apesar de sua língua materna ser o russo) a leitura flui rápido, em solavancos com fotografias de momentos específicos surgindo de tempos em tempos.
O próprio autor menciona esse detalhe. Há em Lolita cenas que chamam a atenção pelo seu simbolismo, mas também, momentos em que a narração faz curvas abruptas pelo bem da continuidade. Sendo esse segundo muito mais fácil de identificar.
Permanece, porém, a grande questão: "por qual motivo Nabokov escreveu um livro sobre um pedófilo? O que ele queria com isso?"
Sua explicação é um simples "por que eu quis."
Não gosto das imagens voltadas para o atrito entre Europa e America que algumas resenhas costumam fazer, minha perspectiva é mais simples. Lolita não é um livro didático, não é uma crônica com uma lição de moral ao seu final. É um livro cansativo e asqueroso, por vezes confundido com pornografia, e que beira as margens de algo escrito pelo simples desejo de chocar a sociedade. Também é dramático ao extremo, com personagens irritantes.
Mais se parece com uma viagem de carro onde o motorista é um egocêntrico sem noção preocupado com os seus próprios problemas, enquanto o leitor é arrastado por um mundo de ideias e sugestões cada vez piores.
Foi uma leitura rápida que demorou pelo tédio, pausas e irritações.