Quando é dia de futebol -

    Carlos Drummond de Andrade

    Companhia das Letras
    2014
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788535923841
    Português Brasileiro

    Em verso e prosa, Drummond fala de nove Copas do Mundo, do auge de Pelé e do efeito mesmerizante de um esporte sobre todo um povo. Publicados em sua maioria nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil, nos quais o autor ocupou cadeira cativa durante muitos anos, os textos de Quando é dia de futebol mostram um Carlos Drummond de Andrade atento ao futebol em suas múltiplas variantes: o esporte, a manifestação popular, a metáfora que nos ajuda a entender a realidade brasileira. São crônicas e poemas escritos a partir da observação do autor sobre campeonatos, Copas do Mundo, rivalidades entre grandes times e lances geniais de Pelé, Mané Garrincha e outros. Selecionados por Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond, netos do poeta, os textos oferecem um passeio - muito drummondiano, e portanto leve, inteligente e arguto - por nove Copas do Mundo: de 1954, na Suíça, até a última testemunhada pelo autor, em 1986, no México. Não são, claro, resenhas de certames nem tentativas de análise futebolística. Vão além, em seu aparente descompromisso, pois capturam no futebol aquilo que mais interessava ao autor: a capacidade que o bate-bola tem de estilizar, durante os noventa minutos de duração de uma partida, as grandes paixões humanas. "Confesso que o futebol me aturde, porque não sei chegar até o seu mistério", anota o mineiro em um dos textos. Pura modéstia, como se verá na leitura deste Quando é dia de futebol, pois, se houve algum escritor brasileiro habilitado à decifração desse esporte apaixonante, foi mesmo Carlos Drummond de Andrade.

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    Alexandre Figueiredo20/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O veneno remédio do poeta

    Textos apurados, frases cortantes, poesia e prosa. Esses são todos atributos encontrados neste "Quando é dia de futebol", volume organizado pelos netos do nosso poeta maior. Para quem gosta de futebol, a seleção feita por Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond é ouro puro. São crônicas, poemas e frases ao longo de nove Copas do Mundo do esporte mais popular do planeta. Além da elegância e da perspicácia habituais do poeta, somos presenteados com textos comprovando que falar de futebol não é para amadores. Há uma beleza no jogo que vai muito além de 22 pessoas e uma bola, e que foge aos olhos dos comuns. Além disso, a inserção de pílulas filosóficas e políticas por Carlos Drummond de Andrade mostram o quanto o poeta se importava com a dimensão social do esporte na sociedade brasileira. É muito gostoso saber que os leitores não vão se deparar aqui com análises táticas e críticas simplistas sobre o jogo, características tão arraigadas ao formalismo técnico e burocrático praticado atualmente no jornalismo esportivo. Por isso permito-me o empréstimo do título do livro do múltiplo José Miguel Wisnik, o seu "Veneno remédio - o futebol e o Brasil", à minha modesta resenha. Para mim, nada poderia ser mais apropriado para definir a percepção ambígua do poeta sobre o esporte. Não é uma indicação aberta a todos, por razões óbvias, mas vale cada linha.

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