Teologia que dá pra levar para o banheiro
Livro pertinente para quem ainda tenta resolver a equação de ser cristão e gostar da vida sexual. Teresa tem essa mesma dúvida (pois é, há séculos atrás e ainda a mesma questão) e põe a mão na massa para achar uma resposta. De sexo em sexo, de parceiro em parceiro, a obra tenta unir Deus e o Homem, sem necessáriamente passar pelo casamento e castidade. É antes um livro em favor das religiões cristãs, já que propõe um meio termo entre a castidade e o hedonismo, mas tudo sob a tutela inquestionável do Deus cristão. Há um resgate da santidade dos sentidos e da satisfação dos desejos como cumprimento da vontade divina para o homem, pois tanto os desejos quanto os sentidos são obra e orgulho divinos. O livro tem tom de discurso várias vezes. Transa-se e se discursa com a mesma volúpia em Teresa Filósofa e o que mais se faz é discutir teologia, entre uma masturbação e outra. Pode parecer um erotismo ingênuo, sujeitos que estamos a tanta pornografia atualmente, mas não deixa de ser delicioso. Aos não-cristãos, Teresa Filósofa vai agradar do mesmo modo pela crítica ao falso moralismo e às loucuras teológicas em nome de uma castidade que divindade alguma exigiu. Aos que procuram sexo, é diversão leve, apenas. Um tipo de narrativa de sexo que se preocupa tanto em dar tesão quanto em mudar o estado das coisas. Ainda assim, é um dos poucos livros sobre teologia que um homem solitário pode levar para o banheiro.





