Eis um livro da Lavyrle Spencer que me deixou melancólica e com o coração apertado. A complexidade do triângulo amoroso entre Mary, Aaron e Jonathan também me inquietou. Aqui, seguindo mais ou menos a enervante situação apresentada no livro Waking Up With The Duke (Lorraine Heath), Jonathan, estéril devido a uma caxumba na infância, propõe que sua esposa Mary tenha um filho com o seu irmão, Aaron. Ora, desafiar a ordem natural das coisas com mentiras ou meias verdades gera consequências as quais fogem do nosso controle. Não poderia ser diferente com esses três, os quais formam uma intrigante família. Com a morte dos pais, Aaron herdou a casa e Jonathan a fazenda. Assim continuaram quando Jonathan casou com Mary, uma pequenina mulher com rosto infantil que se integrou ao campo e ao estilo de vida, cuidando das necessidades domésticas dos homens por sete anos. Entre Mary e Aaron havia uma cumplicidade e amizade e nunca enxergaram um ao outro com outros olhos. O casamento de Jonathan e Mary era seguro, confortável e calmo, porém havia uma tristeza pela não concepção de um filho. Então, Jonathan idealizou um filho a ser concebido pelo irmão, como um acordo que não sairia dos eixos. Obviamente, os envolvidos prontamente rechaçam a ideia, porém o que não imaginavam é que a paixão nasceria entre o proibido. Eu gostei na narrativa, lenta, delicada, construindo uma história de amor a partir de algo inesperado. Os personagens são pessoas simples, do campo, sem grandes ambições, excessivamente passivos e aquiescentes. A carga dramática é bem construída, os personagens bastante realistas, porém faltou algo, uma certa intensidade daquela que nos faz economizar o término do livro. Enfim, um bonito livro, com um final um tanto agridoce.