Em algum lugar próximo a uma Denver pós-apocalíptica, centenas de metros acima dela, nas dunas de areia que cobriram o mundo, pessoas sobrevivem graças à sucata do velho mundo, desenterrando o passado e negociando por comida e água. A sobrevivência do dia-a-dia não se trata apenas de encarar a areia constantemente soprada pelo vento, mas também impotentemente assistir os mais queridos e amados partirem para um destino sem volta. Além da luta sem-fim contra as intempéries e as privações, uma perda ainda maior se abate sobre uma já fragmentada família, quando segredos ocultos se erguem das areias e acabam por terminar nas mãos erradas.
"Sand" é como seu título sugere: áspero, duro e implacável. Embora seu começo possa parecer pessimista ou seja, ele descreve um mundo sem esperança e personagens apáticos , o enredo logo atinge um ponto sensível do coração do leitor, fazendo-o esquecer-se até mesmo do gênero do livro e mergulhar num mundo de lições acerca de relacionamentos: principalmente responsabilidade, comprometimento e recomeço.
A mágica invocada por Hugh Howey atinge essencialmente a narrativa, o que impede que esta se assemelhe à de um livro de auto-ajuda e a transforma numa história totalmente independente, na qual os personagens e seus assuntos pendentes são muito mais relevantes do que as razões de ser do cenário no qual a história se desenrola.
Isso significa que, tão logo termine o livro, o leitor dificilmente se importará com a origem de toda a areia do mundo, ou sequer irá pensar a respeito das motivações dos vilões da trama. O mundo sempre terá seus problemas e inimigos, mas, no fim, tudo que importa é a família, mesmo as fragmentadas, quebradas ou desgastadas pelo tempo.